Jukebox Sentimental – Morning Song

Jewel: uma pérola de beleza e talento

Jewel: simplesmente uma joia de beleza e talento

Nem me lembro direito como a cantora Jewel entrou em minha vida. Acho que foi por causa daquela fase MTV que eu levava, nos meus dias de pré-faculdade, do tempo em que a MTV era boa, de quando eu ouvia uma música no canal e saia que nem louco para comprar o CD logo em seguida seja aonde fosse. Só sei que a primeira coisa que me chamou atenção, mesmo antes da beleza angelical da artista, foi sua voz quase metafísica. Que coisa fantástica e extraordinária de se ouvir, viu!

E acho que, se não fosse pela Janis Joplin, talvez eu não tivesse tanta ternura auditiva para sentir a sensibilidade dessa jovem garota de cabelos de milho que passou uns maus bocados para chegar aonde chegou. Filha de hippie nascida no estado do Utah e criada no Alasca, ela tocou na noite junto com o pai um bom tempo e aprendeu canalizar as agruras da vida que a atormentava nos versos das inúmeras poesias que escreveu. Canções também.

Só anos depois, bem depois mesmo que eu percebi que ela era uma herdeira e discípula direta do estilo folk de uma das maiores poetas da música norte-americana, nos dizeres do Renato Russo, a canadense Joni Mitchell. Para mim, Jewel será sempre sinônimo de Joni Mitchell e ponto final.

E hoje, todas às vezes que vejo a cor azul céu de um CD, seja de que artista for meu caro, me lembrarei de Pieces of you, o primeiro disco da cantora lançado em 1995, que escutei assim a exaustão, quase até furar. Era o (What’s the story) – Morning Glory? do Oasis, dia e noite em minha vitrola, e Pieces of you da Jewel.

“O que chamamos de natureza humana é na verdade habitat humano”, diz uma frase lírica jewel 3estampada ao lado do rosto de anjo da (então) jovem cantora.

A poesia beatnik de Jewel é comovente, apaixonante e desafiadora. Não há como não ficar de joelhos, por exemplo, diante da dramática Foolish games, com seus poderosos e acachapantes versos acompanhados por um piano dolorido e arranjo de cordas idem:

“Bom, no caso você falhou em perceber/No caso você falhou ao olhar/Este é meu coração sangrando diante de você/Esta sou eu de joelhos”, canta ela, com emoção pungente. “Estes jogos tolos estão me despedaçando/E suas palavras impensadas estão partindo meu coração/Você está partindo o meu coração”, arremata a cantora já em pedaços.

Já a dançante faixa de abertura, Who will save your soul?, um gostoso e contagiante reggae folk, é uma crítica àquelas pessoas que glorificam o bem material acima de tudo e levam uma vida de vazio espiritual retumbante.

Contudo, é a narrativa cotidiana e despojada de Morning song a razão deste texto. Não duvide, mas canções cujo tema é uma manhã, seja ela de que jeito for ou aparecer, sempre rende boas histórias, tristes ou não. Dá vontade de sair da cama depois de ouvir alguém surrando em seu ouvido alguma coisa como isso?

“Deixe o telefone tocar/Vamos voltar a dormir/Deixa o mundo girar lá fora/Você é o único que eu quero ver”, avalie. “Você pode ser Henry Miller e eu serei Anaïs Nin/Exceto que desta vez será ainda melhor/Nós ficaremos juntos no final/Vamos lá querido/Vamos lá querido, vamos voltar para cama”, continua a cantora, esbanjando cultura e talento.

Outro dia, ao rever um primo que não via há tempos e que recordou dos dias em que a gente ouvia à exaustão Jewel, me senti motivado a escrever essas mal traçadas linhas. Este texto é em homenagem a esse período de inocência e descoberta.

* Este texto foi escrito ao som de: Pieces of you (Jewel – 1994)

Jewel 2

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