New: O velho Paul de cara nova

Novo disco do artista setentão prova que ele está em plena forma

Novo disco do artista setentão prova que ele está em plena forma

Paul McCartney é daquele tipo de artista prestigiado e consagrado que até ficamos acanhado, desconfortável até, de fazer qualquer tipo de crítica negativa com relação a um projeto do cara. De modo que, contrariado com a audição de fragmentos do seu mais novo álbum, lançado no último mês, desisti de escrever qualquer coisa sobre o assunto só para não ter que falar mal do meu ídolo e beatle predileto.

Mas meu amigo Pedrão não me abandonou, incentivando que eu fosse escutar o disco e me surpreendi já que o registro traz o velho Sir Macca de cara nova. Pode apostar, o título não é gratuito, ou seja, não é um ídolo setentão querendo bancar o jovem moderninho ou coisa do tipo, nada disso. Apenas um senhor experiente mostrando que ainda está em plena forma para surfar na crista da onda dos artistas do momento e quem são eles mesmos?

Assim, no estilo Caetano Veloso da fase Cê, o mais melódico dos Beatles se cercou de talentosos jovens produtores para gravar o primeiro álbum só de inédita desde Memory almost full, lançado em 2007. Foram parceiros nesse trabalho estrelas como Mark Ronson (o homem por trás do sucesso de Back to Black ­– Amy Winehouse), Ethan Johns e Giles Martin, os dois filhos de nomes importantes na trajetória dos Beatles (Glyn Johns e George Martin) e o festejado produtor Paul Epworth (Adele), co-autor de três faixas do disco.

Claro, nem de longe New lembra os melhores trabalhos de Sir Macca que gosto dos 16 trabalhos que ele lançou pós-beatle e lembro apenas o mágico Flaming pie (1997), para não citar os clássicos dos anos 70.

Paul MagazineO toque jovem pode ser sentido na elétrica canção de abertura Save us, assim como na dançante, Appreciate, que nem lembra qualquer coisa já feita pelo cantor e compositor ao logo de mais de 50 anos de carreira. Já a faixa título New é a que mais tem a assinatura dos pop rock que McCartney escreveu em sua fase solo. Talvez por isso tenha sido escolhida para ser a música de trabalho do disco. Aqui sobressai o inconfundível falsete do artista que tanto gosto. Sombra dos tempos ao lado dos amigos John, George e Ringo, reverbera – mas só de leve -, em Alligator e I can bet, com seu refrão a la Get back. E não tem como ficar parado diante do piano dançante de Queenie eye.

Mas grande admirador do estilo de Paul McCartney tocar violão, tenho carinho pelas baladas folks  que ele cria e New conta com duas pérolas adoráveis do gênero. Uma é a singela On my way to work. Mas é a nostálgica Early days, com sua introdução que lembra as baladas de Rod Stewart, da fase glam rock, a que me pega de jeito, completamente com vontade de chorar porque me faz lembrar os tempos em que eu e os meus primos brincávamos sem deixar que as maldades da vida maculassem nossa ingenuidade familiar. A lembrança não vem ao léu já que na letra Paul faz referência ao tempo em que escrevia canções com o eterno amigo John Lennon na sala de estar da casa deles.

“Não poderiam tirar isso de mim, se eles tentassem/Eu vivi aqueles dias de antigamente/Tantas vezes tive de mudar da dor ao riso/Apenas para não ficar louco”, canta Paul, transbordando de emoção.

Como dá para ouvir, o velhinho ainda dá para o gasto por pelo menos mais setenta anos.

* Este texto foi escrito ao som de: New (Paul McCartney – 2013)

New Paul

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