E o sangue semeou a terra (1952)

James Stewart (esq.) é um ex-pistoleiro guiando uma caravana no velho Oeste

James Stewart (esq.) aqui é um ex-pistoleiro guiando uma caravana no velho Oeste

No início dos anos 50 James Stewart já era um astro consagrado do cinema com filmes importantes nas costas, dos quais se destacam A felicidade não se compra (It’s a wonderful world – 1946), de Frank Capra, e o impactante Festim diabólico (Rope – 1948), do mestre Alfred Hitchcock. Já o bonitão Rock Hudson não. Ainda galgando um lugar ao sol antes de se tornar a grande estrela das telonas das décadas de 50 e 60, o ator bonitão escondia sua homossexualidade andando para cima e para baixo pelas ruas de Los Angeles com belas mocinhas a tira colo e atuando em filmes fortes como o faroeste E o sangue semeou a terra (Bend of the river – 1952).

Dirigido por Anthony Mann (Winchester ‘73 – 1950), a trama se passa no ano de 1847 e percorre os passos de dois pistoleiros que resolvem mudar de vida guiando uma caravana do Missouri até o Oregon. Um deles é o gentil e prestativo, Glyn McLyntock (James Stewart). O outro é Emerson Cole (Arthur Kennedy), um sujeito de aparência agradável, mas conversa e gestos dúbios. Ambos já sentiram o peso da corda no pescoço, mas agora querem mudar de vida ao lado de grupo de aventureiros.

No meio do caminho as coisas começam a mudar de rumo, para pior, quando os viajantes aportam na agitada Portland em busca de mantimentos. Isso porque ficam na cidade Cole e Laurie Baile, a linda filha do líder da caravana vivida por Julie Adams, enquanto que o resto do bando segue de navio para as terras aonde irão se estabelecer.

“Eu nunca devia ter saído do Mississipi”, diz o velho capitão da embarcação, todas às vezes que se sente contrariado.

Acontece que, com a novidade da corrida do ouro à região, os mantimentos comprados em Portland e Bend of the riveresperados pelos moradores da nova aldeia não chegam, dando início a conflitos entre dois grupos, colocando em debate sentimentos como lealdade e integridade. “Há uma diferença entre maças e homens”, diz alguém, questionando a moral alheia.

Autêntico faroeste dos anos 50, com direito às clássicas carroças de lona, ataques de índios e muito, mas muito tiroteio, E o sangue semeou a terra, exibido outro dia no TCM da Sky, me chamou atenção pela forma com que o diretor Anthony Mann trabalhou as ambiguidades dos personagens, grande parte da fita transitando entre a linha tênue do bem e do mal. Até a metade do filme não sabemos direito quais são as verdadeiras intenções dos personagens de James Stewart e Arthur Kennedy, até decidirmos de qual lado ficaremos.

A cena em que os dois trocam sopapos nas tais curvas do rio do título original é antológica, mas prefiro me prender à sutileza da dramatização de algumas passagens, como aquela em que revela as marcas deixadas pelas cordas no pescoço do mocinho.

Galante como um conquistador viciado em jogo de cartas, Rock Hudson até que saca a arma direitinho e bem rápido, mas não convence muito como um homem do velho Oeste. Daí o fato do ator ter se eternizado no futuro como o protagonista daquelas deliciosas e clássicas comédias de comportamento entre meados dos anos 50 e 60.

* Este texto foi escrito ao som de: John Wesley Harding (Bob Dylan – 1967)

John wesley Harding

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