Uma estadia no inferno com Johnny Cash

Por causa do vício pelas drogas o artista quase chegou ao fundo do poço

Por causa do vício em drogas o artista quase chegou ao fundo do poço

Assim como Keith Richards em sua biografia, Johnny Cash é de uma sinceridade perturbadora quando fala dos problemas que enfrentou e dos erros que cometeu, ao longo de mais de sete décadas de vida. De modo que o seu envolvimento com as drogas, sobretudo anfetaminas, são revelados ao leitor sem delongas e mentiras. Muito menos com culpa.

“Lembro claramente da primeira droga psicoativa que entrou no meu corpo”, conta o artista no terceiro capítulo de sua biografia Cash, ao recordar o dia em que rolou com um menino na escola, aos 11 anos, numa briga que lhe valeu algumas costelas quebradas. “É o que a morfina faz”, explicou o médico da família, lhe aliviando a dor imediatamente.

Os tempos de quebradeira na estrada e atos de vandalismo onde hotéis eram destruídos e carros queimados com a mesma tranquilidade de um passeio no parque não passam despercebidos no livro. Parte dessa passagem obscura da vida do cantor country é revelada no filme Johnny e June. “O valor do que destruía, o dinheiro que custava ou seu significado para quem o possuía ou utilizava não me importava nem um pouco, tão profundo era o meu egoísmo”, confessa.

Cash magazineO limite das travessuras de Johnny Cash não tinha limite e, em alguns casos, resultou em perdas irreparáveis. Certa vez, por exemplo, o artista e um amigo destruiriam três montanhas por causa de um incêndio florestal no Los Padres National Wildlife Refuge. A causa do incidente teria sido o óleo de um rolamento quebrado de uma roda e o prejuízo irreparável já que a vida selvagem do lugar sofreu grande perda com a morte de 43 condores da Califórnia ameaçados de extinção.

“Sou o único cidadão que o governo já processou com sucesso e de quem recebeu dinheiro de muita por ter começado um incêndio floresta”, lamenta.

Companheira de toda uma vida, a cantora e esposa June Carter conhecia, mesmo por debaixo de todas as drogas, desesperos, momentos de fúria e solidão, a essência do homem Johnny Cash. E olha que no começo da relação ele a assustou pra valer ao dar perda total no Cadillac de sua futura mulher, quando bateu o veículo com toda a força num poste no centro de Nashville. “Minha preocupação principal era que June ficaria furiosa comigo, (…) então não disse á polícia onde podiam encontrar a dona para lhe dar a notícia”, lembra.

O fim do poço desses dias de trevas bateria a sua porta em meados de 1967, quando, sem comer e dormir por dias, se viu arrastando até a morte na caverna Nickjack, no rio Tennessee, ao norte de Chatanooga. “Deixaria Deus me levar desta terra e me pôr onde quer que ponha as pessoas como eu”, teria sido seus pensamentos, nesse momento de vazio e solidão. “Enquanto dirigíamos até Nashville, disse a minha mãe que Deus tinha me salvado de cometer suicídio. Disse que estava pronto para me entregar a Ele e fazer o que tivesse de ser feito para deixar as drogas. Não estava mentindo”, decidiu.

Ao longo dos anos, as crises de abstinências levaram Johnny Cash a se envolver com as drogas novamente, mas nunca com a mesma intensidade de seus piores dias. Talvez sua fé em Cristo e recente conversão ao cristianismo o fizessem pensar que tinha ao lado grandes aliados para vencer o vício e as fraquezas da carne. Deu certo.

* Este texto foi escrito ao som de: Mean as hell! (Johnny Cash – 1966)

Johnny Cash mean as hell

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