Suíte Super Luxo ao vivo e a cores

Luc Albano (centro), à frente do SSL, no Jazz Pub. Entrosamento marcou a apresentação

Apresentação do SSL na última terça-feira, no Jazz Pub, química marcou a performance do grupo

Finalmente consegui ver um show do Suíte Super Luxo. O que era no mínimo uma falta de respeito com a banda brasiliense que gosto muito, e claro, comigo mesmo, poxa, afinal, sustento a condição de um dos fãs mais empedernido dos meninos. E confesso que foi uma experiência emocionante porque Luc Albano e a nova formação da SSL estão entrosadíssimos, afiados no palco, quatro em um. E olha que eles estavam ensaiando apenas há três meses.

Mais interessante ainda porque consegui quebrar o gelo com relação ao segundo trabalho do grupo, o álbum, Entre a piscina e o trampolim, lançado no ano passado. É um registro que tem um frescor que a obra-prima El toro, marcado pela angústia, não tem. Mas não se iluda meu chapa, o disco de estreia do grupo ainda está entre as melhores coisas que escutei, sei lá, nos últimos dez anos.

Tive a sorte de chegar cedo e ver a passagem de som dos caras e me surpreendi com a serenidade de Luc Albano à frente do grupo, uma espécie de esfinge em cena com seu semblante de Lou Reed hipnotizando o público com rocks certeiros de pouco mais de dois minutos e pouco. Modéstia à parte, tenho sorte com essa coisa de passagem de som. Certa vez, ali no Centro de Convenções, consegui furar o bloqueio e vi o Chico Buarque de bobeira testado o som com a banda vestido com a camisa do Fluminense. Um sundae…

Whatever, gosto de Stella gelada goela baixo, guitarra alta, guitarra baixa, regula daqui, equaliza dali e os reflexos dos raios da chuva forte que caia transformava o ambiente do 10-0-13 Jazz Pub num cenário de trama de Oscar Wilde. Tudo a ver né? Pub, Inglaterra = O retrato de Dorian Gray. Viagem total?! Talvez. Mas isso também é Suíte Super Luxo.SSL 2

Ao todo foram dez canções em pouco mais de uma hora de apresentação e nesse curto espaço de tempo concluí uma coisa vital: a banda é Luc Albano e vice-versa. E digo isso com todo o respeito ao talento do baixista Bernardo Mota, o baterista Alexandre Áli e o guitarrista Tharsis Campos.

Tímido, concentrado, simpatia introspectiva. São alguns dos elementos que fazem o líder do SSL comunicar pouco ou quase nada com o público, mas isso não parece ser algum problema porque acho que faz parte do charme da banda e o cara surge em cena como um homem de pedra com sentimento. Daí o fato dele ser um dos letristas mais viscerais no cenário brasiliense. Quem não percebeu isso até agora é autista ou não manifesta nenhum tipo de emoção.

“E ponha seu melhor maiô/Quando o disfarce está nu/A doce vida ri pra mim/Com uma cara de motim” diz a letra de Estrela hi fi, música que denuncia as influências do gênero ficção científica do vocalista.

Já na viajante A fantástica praia dos leões, uma das duas faixas do primeiro disco tocadas no show que me fizeram arrepiar, não há como não passar despercebidos aos falsetes líricos da canção. “Transpire a ideia… A ideia de fim/Esqueça as coisas que possam fluir/Estamos chegando à secreta praia dos leões”, são os versos iniciais da enigmática letra.

Se Suíte Super Luxo é bom nos discos, imagina ao vivo e a cores. Alguém aí pode me dizer quando será a próxima apresentação?

* Este texto foi escrito ao som de: Entre a piscina e o trampolim (Suíte Super Luxo – 2012)

SSL

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