Jukebox Sentimental – Angels

Robbie Williams: De dançarino gordinho do Take That a um dos maiores mitos pop do século 20...

Robbie Williams: De dançarino gordinho do Take That a um dos maiores mitos pop do século 20…

Não faz muito tempo e eu costumava levantar às 5h da manhã para ir trabalhar e, todas às vezes que fazia isso, colocava Angels no volume máximo do meu disc play só para ficar pensando nela. E, enquanto a minha carona não chegava, assim como o personagem da canção, lá eu ficava “sentado” na calçada, “esperando” e ouvindo repetidas vezes a faixa que tinha como poder, naquelas frias madrugadas, de esquentar o meu coração, acelerar a minha alma.

Hoje a garota se foi, quer dizer, não é mais a mesma que essa canção me fazia pensar, trepidar meus sentimentos, mas a melodia ficou marcante em minha cabeça, martelando os mais recônditos segredos da minha mente porque algumas músicas são assim, atemporais. Enfim, algumas canções têm o poder de ser eternas ou confortantes como um cobertor em noite de vento frio ou protetora como um casulo.

“Pois me foi dito/Que a salvação deixa as asas deles estendidas/Então, quando eu estiver deitado na minha cama/Pensamentos correndo pela minha cabeça/E sentindo que o amor está morto/Vou amar anjos em vez disso”, diz o refrão poderoso escrito por Robbie Williams, talvez um dos maiores mitos pop do século passado.

Ex-integrante da boy band, Take That, o “bailarino gordo” do grupo, nas provocações de Noel AngelsGallagher, renasceu das cinzas em 1997 com um disco solo de estreia épico, Life thru a lens, cujo maior sucesso foi a baladona Angels. Produzida por Guy Chambers, bem que essa pérola do power-pop poderia ter sido escrita por Elton John lá nos anos 70, no auge de sua carreira. O que não impede de que Robbie Williams, no que diz respeito ao lirismo, seja um de seus discípulos.

Impactante, não há como não se deixar levar, se encantar com a penetrante introdução dessa canção. Mais ainda com o solo de guitarra e piano febris, que lembram pregos prateados caindo no chão frio do nosso cérebro ou uma chuva metálica invadindo nosso inconsciente. “Quando estou me sentindo fraco/E minha dor caminha por uma rua de mão única/Eu olho para cima/E sei que serei sempre abençoado com amor”, diz outro verso impactante dessa canção com traços metafísicos. E se os anjos aqui for aqueles que nos guardam?

Ainda bem que hoje não preciso mais levantar às 5h da madruga para trabalhar e meu anjo amado é outro, bem mais interessante e encantador, eterno quem sabe, com seu sorriso cintilante de Eva Perón jovem brilhando no meu céu cinza de melancolia nostálgica. E quando ouço Angels, cada segundo dos poucos mais de quatro minutos da faixa são como um sopro de salvação e esperança infinita em meu peito. Porque acredito nos versos abaixo:

“E conforme o sentimento cresce/Ela sopra carne aos meus ossos”, pode crer.

Se um dia eu aprender a tocar piano e souber fazer direitinho a introdução de Hey Jude ou tocar legal Angels, me sentirei o homem mais feliz da vida.

* Este texto foi escrito ao som de: Angels (Robbie Williams – 1997)

Angels - Single

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