Cash – Cinnamon Hill

Autobiografia de 1997 de Johnny Cash lançada só agora no Brasil traz grandes revelação do astro country

Autobiografia de Johnny Cash lançada só agora no Brasil traz grandes revelações do astro country

Gozado, mas sempre achei lá no fundo que Johnny Cash fosse um sub Elvis Presley. O que era uma grande bobagem. Até porque, embora fosse da mesma gravadora, a Sun Records, os dois faziam parte de nichos musicais diferentes. Elvis, como o menino dourado do Rock ‘n’ roll. Johnny Cash, uma estrela em ascensão do country.

Todos esses esclarecimentos me vieram à tona agora que estou lendo Cash, biografia do artista escrita a quatro mãos com o jornalista especializado em música country, Patrick Carr. Dividido em cinco capítulos, a obra de 1997 só agora lançada no Brasil é de uma sinceridade contundente, bem ao estilo do cantor e compositor que tem um jeito bem particular de relembrar o passado, refletir sobre o presente e filosofar sobre o futuro. Além de falar abertamente dos vícios em anfetaminas, dos altos e baixos da carreira, Johnny Cash nos presenteia com histórias hilárias e tristes de seus tempos de catador de algodão no Arkansas, como a morte de um irmão quando este tinha 14 anos e do assalto seguido de sequestro que ele e a família sofreram no início dos anos 80 na Jamaica. Também nos revela porque ele é conhecido como o Man in Black.

Bom, durante a leitura do livro vou escrevendo aqui no Lucio Inthe Sky os momentos mais marcantes de cada um dos cinco capítulos, começando hoje com Cinnamon Hill, título que faz referência a uma das propriedades do astro country na Jamaica. “Sou grato por ter sido trazido a este lugar. A Jamaica me salvou e renovou mais vezes do que consigo contar”, confessa logo nas primeiras páginas.

CashEle começa sua história escrevendo que faz parte de uma antiga linhagem do clã Caesche, descendente do rei Duff, primeiro monarca a liderar a Escócia. “Tempos melhores virão”, era o lema do brasão de armas dos seus antepassados. Em meados do século 16 e 17, os primeiros membros de sua família começariam desembarcar na América, mudando a grafia do nome para Cash.

A lida catando chumaço de algodão não foi fácil, mas a lembrança desses tempos de dureza seria indelével. Assim como as impressões dos lugares em que cresceu, dos cheiros e sensações da paisagem e da rotina que deixou se impregnar. “Minha vida de trabalhador foi simples: algodão na juventude e música na idade adulta”, observa com pragmatismo. “O aroma da fumaça de nogueira, sempre no ar e em nossa terra, é outra memória gravada em meus ossos”, revela, ao falar do tempo em que defumava carne em fumeiro construído no quintal da casa dos pais.

Numa manhã de sábado de 1944, a sombra da tragédia pairou sobre a família Cash, com a notícia de que Jack, o irmão mais velho e querido de Johnny se acidentara na serra de marceneiro. “Avistei meu pai assim que cheguei à encruzilhada onde havia deixado Jack. Ele estava num carro, acho que era um Ford Modelo A, o carro do pastor. (…) Sabia que algo estava muito errado”, recorda com tristeza. “Foi terrível perder Jack. Foi terrível na época e a perda continua ocupando um grande, frio e triste lugar em minha alma e me meu coração. Não há escapatória à dor e à perda”, lamenta.

No Natal de 1982, homens encapuzados com meias de náilon invadiriam a mansão dos Cash na Jamaica, a Cinnamon Hill, e fariam de refém a família do cantor, além de um filho do vizinho. No final tudo deu certo, mas essa madrugada de terror vivido por todos seria descrita por Cash com riqueza de detalhe perturbador.

“Levou bastante tempo para que eu me tranquilizasse quanto ao assalto. (…) Minha única certeza é a de que sofro pelos jovens desesperados e pela sociedade que os produz e depois sofre com eles”, disse, comentando sobre os seus algozes.

* Este texto foi escrito ao som de: Johnny Cash at Folsom Prision (1968)

Folsom Prison

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