Thor – O mundo sombrio (2013)

O guerreiro nórdico aqui ladeado pelo pai Odin, Anthony Hopkins, em atuação marcante

O guerreiro nórdico aqui ladeado pelo pai Odin, Anthony Hopkins, em atuação marcante

O caro leitor que me acompanha aqui já deve ter percebido que, quando escrevo sobre filmes de super-heróis, é porque não tive muita opção ao longo da semana com relação às produções que estão em cartaz ou com os lançamentos que irão estrear. De modo que as escolhas prazerosas acabam sendo sobrepujadas pela obrigação.

Claro que não estou reclamando, apenas dando uma explicação, até porque o nórdico deus Thor não está entre meus super-heróis prediletos, mas bem que eu gostava muito de ver os desenhos animados da Marvel que passavam nas incansáveis matinês dos meus tempos de calças curtas e pés no chão, o que, por si só, me fizeram acompanhar a sessão de hoje, à meia-noite e uma, para assistir a sequência da aventura que fez milhões de dólares em 2011.

O que é chato nessas pré-estreias especiais é a gentinha medíocre e cretina que aparece por lá, escolhida assim aleatoriamente sem critério nenhum. Alguns nem sabem direito do que se trata o filme, vão no oba-oba da emoção fútil e ainda ficam me perturbando com barulheiras infantis, pipocas com cheiro de cola de sapateiro. Enfim, sacrifícios que fazemos pela sétima arte.

Bom, Thor – O mundo sombrio não conta desta vez com a direção do ótimo ator e diretor britânico, Kenneth Branagh, o que já é uma perda considerável, mas em se tratando de produções do gênero, até que o filme é um trabalho bem feito. Sobretudo no que diz respeito aos efeitos especiais.

ThorDepois de salvar a humanidade ao lado dos amigos Homem-de-Ferro e Capitão América, em Os vingadores, o poderoso filho de Odin (Chris Hemsworth) tem agora a missão de restaurar a ordem em todo o cosmo diante da investida dos Elfos Negros, liderado pelo vingativo Malekith (Christopher Eccleston). Para tanto, terá que buscar ajuda de seu maior inimigo, aquele que se encontra dentro de seu próprio reino, o malvado irmão Loki (Tom Hiddleston). As coisas se complicam quando sua namorada terrestre, a cientista Jane Foster (Natalie Portman), contrai a força do mal que irá alimentar a sede de vingança dos horrendos Elfos Negros.

“Ela é uma mortal. Doença é um traço que os definem”, observa o intolerante Odin, diante da humilhante possibilidade de ter de contar com a ajuda de um simples ser humano.

Criado no início dos anos 60 por Stan Lee e outros colaboradores da Marvel, tendo como fonte a mitologia nórdica, Thor surgiu na cosmologia dos quadrinhos para ser o mais poderoso dos heróis. Daí o fato dele ser uma entidade metafísica. “Como você cria alguém mais forte do que o ser mais forte? Não faça dele humano – faça dele um deus”, diria mais tarde Stan Lee, descrevendo sua criação.

Adornado por premissa shakesperiana, as aventuras desse grandalhão louro e seu martelo mágico tem o ponto alto na força da beleza visual dos efeitos especiais. Cada vez mais modernos, eles são capazes de dar ao espectador, com incrível realismo, a dimessão certa da gradiosidade do que viria ser um ser dotado de poderes sobrenaturais. No entato, diante dessa eficiência criativa dos tempos modernos, paira no ar uma contradição conceitual, no fato de que no passado os filmes de super-heróis eram bem mais simplórios em sua feitura, mas ricos em conteúdos. Basta conferir o inesquecível Super-Homem de Christopher Reeve.

Não sei se gostei do filme, nem mesmo se entendi alguma coisa, com aquela chatice de campo gravitacional e tudo mais, mas valeu perder algumas horas de sono para ver o desempenho do magnânimo ator britânico Anthony Hopkins na pele do tonitruante Odin. Esse sim, um deus de verdade. Um dos deuses do cinema de carne e osso.

* Este texto foi escrito ao som de: Monster (R.E.M. – 1994)

Monster

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