Busca Frenética (1988)

Harrison Ford, todo enroscado com a deliciosa Emmanuelle Sieger, no thriller de suspense do maridão Polanski...

Harrison Ford, todo enroscado com Emmanuelle Seigner, no suspense do maridão Polanski…

Quando ganhou o Oscar de melhor diretor pelo drama de guerra, O pianista, Roman Polanski, desde o final dos anos 70 proibido de pisar nos Estados Unidos, acusado de crime de pedofilia, recebeu as estatuetas das mãos do ator Harrison Ford em Paris, onde vive desde então. A amizade entre os dois artistas se estreitou, se fortaleceu, quando os dois fizeram juntos, o thriller de suspense, Busca frenética, exibido este mês no canal por assinatura TCM.

Na trama, o pacato e feliz cirurgião Richard Walker (Harrison Ford) é um típico cidadão norte-americano que tem sua vida drasticamente mudada de cabeça para baixo, depois de a mulher ser raptada por misteriosa célula de terroristas árabes no hotel que acabaram de se hospedar. Com pano de fundo o tema da Guerra Fria, e sombras dos filmes mais eletrizantes do mestre do suspense Alfred Hitchcock, Busca frenética apresenta Paris, a “cidade luz”, pela porta dos fundos, com seus inferninhos cheios de drogados e personagens sujos.

“Eu queria me livrar de tudo que fosse obviamente parisiense e tentar mostrar a cidade de hoje”, disse na época Polanski. “Era a maneira como a vejo e não como americanos poderiam imaginar que ela é”, enfatizou.

Frantic 2Desesperado, Walker só terá a mulher (Betty Beckley) de volta se devolver aos seus algozes um dispositivo sofisticado que permite ser usado como detonador de bombas nucleares. Irritado e enojado com a burocracia das autoridades francesas e até mesmo norte-americanas, representada pela embaixada daquele país, ambas ridicularizadas por Polanski na fita, o cirurgião resolve solucionar o caso por conta própria, contando com a ajuda da esbelta junkie, Emmanuelle Seigner.

Polanski teve a ideia para o filme depois que leu uma notícia de jornal sobre o roubo numa firma de eletrônica, em San Francisco, de um desses aparelhinhos capazes de explodir o mundo pelos ares apenas com um clique. Para escrever o roteiro intenso e bem amarrado, cheio de reviravoltas, além do parceiro habitual Gerárd Brach, contou com a ajuda do amigo de longa data, Robert Towne, elemento chave no grande sucesso, Chinatown.

Além das piadas pontuais do diretor, sempre armado com seu ferino senso de humor, como na sequência do burocrático boletim de ocorrência na polícia francesa e da passagem na embaixada estadunidense, Busca frenética conta com alguns momentos técnicos exemplares. Um deles está na cena em que a câmara voyeur de Polanski acompanha o banho relaxante de Harrison Ford longo quando chega a Paris, de dentro do box.

Estigmatizado pelos papeis de aventura em filmes como Guerra nas estrelas e Indiana Jones, Harrison Ford surpreende aqui com seu carisma e simpatia, caras e bocas, com direito a comer bolinha de papel no café da manhã e se equilibrar em cima dos telhados parisienses. Ah, sim, em tem o momento em que aparece nu, tampando o sexo com um bichinho de pelúcia. Coisas que só Roman Polanski poderia fazer. E olha e Harrison Ford fica pelado diante da atriz Emmanuelle Seigner, então mulher desse polaco infernal. O pior ainda estaria por vir em Lua de fel.

* Este texto foi escrito ao som de: Singles (The Smiths – 1995) 

The Smiths s

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