O castelo assombrado (1963)

Vincent Price (centro), na difícil missão de exercer o mal no cinema...

Vincent Price (centro), na difícil missão de exercer o mal no cinema…

Em meados dos anos 50 e década de 60 a parceria entre o cineasta Roger Corman (A pequena loja dos horrores) e o ator Vincent Price rendeu bons filmes de terror. Por se tratar de produções baratas eram classificadas, erroneamente e, de certa forma burra, de filmes B, mas só por uma questão orçamentária, já que a criatividade narrativa do diretor e o talento de Price como protagonista dessas tramas não deixavam nada a desejar aos caros filmes do gênero da época.

Rodado em 1963, O castelo assombrado, que foi relançado em DVD pela Coleção Clássicos da MGM, é uma dessas pérolas da época. A história mistura um conto do escritor H.P. Lovecraft e versos que dão título à trama do poeta e escritor Edgar Allan Poe.

Século 18. Antes de ser queimado vivo junto a uma árvore de seu jardim, um feiticeiro dado a intimidade com o demônio (Vincent Price), roga praga aos habitantes da pequena Arkham, na Nova Inglaterra. “Não estarei satisfeito enquanto essa cidade se torne um túmulo”, diz.

Mais de cem anos depois, um antepassado dessa maligna criatura que não tem dom nenhum O castelo assombrado 2para a maldade e só quer o direto de desfrutar da propriedade que herdou de seu tataravô, se vê metido com a maldição do lugar. “Quer ficar num lugar cheio de tolos?”, diz à esposa, já arrependido de estar ali.

A áurea mística do castelo assombrado e a imagem macabra de seu parente pendurado num quadro que remente, sutilmente, à cena clássica de O retrato de Dorian Gray, de Orcar Wilde, o faz se sentir enfeitiçado pelo lugar. Pior, perturbado com a indignação dos supersticiosos moradores do local e a persona perturbadora de seu antepassado, passa a sofrer de dupla personalidade, detalhe que permite ao versátil Vicente Price deitar e rolar na construção bipolar do personagem, ora a face escarrada do mal, ora um visitante frágil tentando entender toda essa confusão dos infernos.

“É preciso se acostumar com a solidão aqui”, avisou o médico da vila, prevendo o pior.

Embora o roteiro de Charles Beaumont seja fraco em sua unidade, a construção da narrativa em cima da mão competente de Roger Corman, que muitas vezes supriu a falta de recursos com seu talento, dá o tom da história que tem cenas marcantes. Uma delas a artesanal sequência de abertura com uma  aranha tecendo sua teia.

* Este texto foi escrito ao som de: Pendulum (Creedence Clearwater Revival – 1970)

Pendulum

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