Ressaca dos dias das crianças

A animação da Mattel Corporate, exibida na SBT, e a grande mania das meninas

A animação da Mattel Corporate, exibida na SBT, e a grande mania das meninas

Semanas antes do dia das crianças minha sobrinha mais velha me pediu um jogo de estratégia War – A batalha mitológica, e a mais nova esse tal de “monsserai”.

– “Monsserai?” -, perguntei intrigado, meio encabulado, achando que a guria de três anos, sei lá, precoce, estivesse tentando fazer alguma referência à cantora lírica espanhola, Montserrat Caballé e, quem sabe, até do meu ídolo Fred Mercury. Delírios da minha cabeça… Imagina, ela só tem três aninhos.

– Mas o que é “Monsserai”, Stellinha? -, insisti.

– Aqueles bichinhos assim com aquelas coisas na cabeça e na cara -, me explicou ela, desenhando traços imaginários no ar.

– ????????

– Mas Stellinha, o titio ainda não está entendendo, isso passa na televisão?

Sem paciência, colocando as mãos na cintura e revirando os olhos ela se irrita:

– Mas titi… Você é doidinho mesmo, né?! – reclamou ela e o assunto morreu ali.

Quando fomos comprar os presentes dos dias das crianças, entramos na loja e ela, eufórica, gritou apontando o dedo!

– Lá tá a monsserai, titi!!!War

Foi quando eu entendi que o que ela estava tentando dizer era Monster High, a bizarra animação da Mattel Corporate exibida no SBT que virou brinquedos, capas de cadernos e tudo o mais.

Definitivamente estou ficando velho e ultrapassado, démodé até, quase parando no tempo. Nos meus dias de guri a gente era vidrado no Corujito da She-Man, Caverna do Dragão e os superamigos. As minhas sobrinhas até gostam de Caverna do Dragão, mas custo a entender e gostar dos desenhos que a garotada dos dias de hoje curtem.

Mas enfim, para acompanhar nossas crianças somos obrigados a estar antenado com o universo infantil e pré-adolescente delas e embarcar nas brincadeiras dos personagens mais estranhos. Monster High… Que diabo é isso? Nunca preferi tanto a boneca Barbie.

Mesmo assim, atualmente passo as horas livres com as minhas sobrinhas assistindo Monster High e jogando as batalhas mitológicas do War, entre outras coisas, como jogar futebol, ping-pong e esconde-esconde. É isso mesmo, solto o meu lado criança que existe dentro de mim e a magia da inocência entra em ação.

Por exemplo, estou viciado no War. Ontem mesmo, minha sobrinha mais velha quase morreu de ri de mim, me vendo e ouvindo quebrar a língua, tentando falar os nomes estranhos e antigos dos territórios gregos do War – Batalhas Mitológicas.  Cada nome cabeludo que acho que vou ficar gago de novo: Lesbos, Dódona, Tessaliótida, Pelasgiótida, magnésia, Arcanânia, credo, fiquei tonto só de escrever.

Aliás, que jogo interessante, divertido e inteligente é o War, né? Uma espécie de xadrez só que mais lúdico. Só que eu ainda estou verde nessa brincadeira interativa porque não atingir o meu objetivo que era a Ásia Menor, As Ilhas de Creta e a Grécia Central com os meus Ciclopes. E olha que sempre fui bom aluno em História Clássica e me amarro em filmes como Fúria de Titãs.

* Este texto foi escrito ao som de: Dots and Loops (Stereolab – 1997)

Stereolab

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