Mestres do Renascimento em Brasília

A pintura, Leda e o Cisne, de Léo Da Vinci, será um dos destaques da exposição

A pintura, Leda e o Cisne, de Léo Da Vinci, será um dos destaques da esperada exposição

Se eu pudesse escolher um período histórico para viver seria a renascença. E ia querer viver como aqueles monges do livro, O nome da Rosa, de Umberto Eco, sem a promiscuidade mundana deles, claro. Só para me chafurdar até as raízes do cabelo de livros e sabedoria. E a renascença representa exatamente isso mesmo, ou seja, a busca desmedida pelo conhecimento e o culto venerável à arte, à beleza como um todo. Daí a minha expectativa para ver a tão esperada exposição, Mestres do renascimento – Obras-primas italianas, em cartaz no CCBB de Brasília a partir de hoje.

Para vocês medirem o tamanho do frenesi em torno do evento, em dois meses de exposição no CCBB São Paulo, mais de 317 mil pessoas viram as pinturas, esculturas e desenhos de papas do gênero como Rafael, Botticelli, Tintoretto, Ticiano, Donatello, Michelangelo e Leonardo Da Vinci, em minha humilde opinião, o maior de todos os artistas.

Ao todo são cinquenta e sete obras que cobrem um panorama do florescimento cultural dos séculos 15 e 16, época em que esses grandes artistas estavam em plena atividade com seus traços explodindo em cores e luzes ofuscantes, perspectivas ousadas e dramaticidade narrativa, leituras filosóficas e alegóricas nas entrelinhas.

MestresMesmo que algumas obras desses nomes sejam obscuras no inconsciente popular das pessoas, só o simples fato de estar frente a frente com alguns de seus trabalhos de um período fértil das artes plásticas, já é um grande privilégio. Tudo bem, você não vai esbarrar por lá com uma Monalisa, com certeza, mas terá a oportunidade de contemplar, por exemplo, do mesmo autor, o exuberante, Leda e o Cisne, numa época em que Leonardo Da Vinci ainda tinha um pé no estilo clássico.

Bom, tenho fascínio pela Renascença e os artistas que floresceram nesse período porque eles criaram obras que me fazem sentir a presença de uma intervenção divina, seja ela quem for. É o mais próximo do meu conceito de deus e da natureza humana perfeita. Aliás, as mulheres da Renascença para mim é o modelo ideal de beleza feminina.

Nunca vou me esquecer do dia em tive o primeiro contato com uma obra renascentista, me apaixonando perdidamente pelas calipígeas de Botticelli, com aquelas nádegas carnudas e pele alva. Foi amor à primeira vista quando as vi ali, solitárias, numa página fria de livro de história do 2º grau. Dali para frente, a minha busca desenfreada e romântica por uma mulher da Renascença foi incansável. Até hoje nunca a encontrei, mas sigo em frente irredutível, movido por esperança inabalável.

Quem sabe ela, a minha musa renascentista, com seu lindo sorriso mágico e pela alva, cheiro de sândalo do ar, não esteja me esperando lá no CCBB, na exposição Mestre do Renascimento… Citando a imagem romântica da Pedra de Bolonha, será no mínimo uma experiência goetheana…

* Este texto foi escrito ao som de: Sunshine Superman (Donovan – 1966)

Donovan

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