Obsessão com Nicole Kidman

Excesso de maquiagem e sotaque sulista deixa atriz irreconhecível

Excesso de maquiagem e sotaque sulista deixa atriz irreconhecível

Confesso na maior cara dura que fui assisti outro dia Obsessão só por causa da Nicole Kidman e ponto final. Que mulher linda, deslumbrante e deliciosa com aquele nariz empinado de boneca Barbie. Aliás, o que ela mais quer nesse drama sulista ambientado nos anos 60, dirigido por Lee Daniels, em cartaz na cidade, é ser lasciva e vulgar. E quer saber? Consegue. Na fita ela é Charlotte, uma mulher que tem tara por criminosos, um deles o mal encarado W. W. (John Cusack), que está preso e prestes a ir para a cadeira elétrica, acusado de matar o xerife de uma pequena cidade do Sul dos Estados Unidos. Por isso todo mundo na cidade acha ela linda e gostosa, mas também “doida e demente”.

O problema é que, no dia e hora em que mataram o xerife balofo, seu amante encarcerado estava roubando grama de um clube de golfe com o tio do outro lado da cidade. Essa contradição, para alívio de Charlotte, é que o jornalista do Miami Times Ward (Mathews McConaughey) que solucionar junto com o parceiro de redação Yardley (David Owelowo). Um apura os fatos e outro transforma em texto. Um é branco e outro é negro.

De volta ao lar, depois de anos fora, Ward ainda não se acostumou com a pequena, conservadora e racista cidade natal, onde o pai é dono do maior jornal da região e o irmão caçula (Zac Efron) é um jovem que ainda não comeu ninguém e morre de tesão pela suculenta Charlotte.

DanielsÉ em meio a esse enredo macabro de Tenessee Williams que os personagens de Obsessão gravitam. O pântano, paisagem característica marcante do Sul dos Estados Unidos surgem aqui o tempo todo como metáfora perfeita para o lamaçal pessoal em que cada um desses desalmados vive, ou seja, completamente chafurdados em suas contradições e segredos mais sórdidos.

Ward, por exemplo, é homossexual e obsessivo por amantes negros. Jack é virgem e ainda não superou a falta da mãe que abandonou a família sem deixar pistas. Charlotte quer conciliar uma vida de aventuras e luxo. O ambíguo Yardley quer subir na carreira, mesmo que para isso tem que passar por cima de todos, inclusive do “amigo” Ward.

“Ele parece bem confiante para um negro”, ironiza um dos moradores da intolerante ??.

Narrado em flashback pela empregada dos Jansen, o enredo de Obsessão parece trazer nas entrelinhas uma espécie de vingança velada dos negros diante dos brancos arrogantes com sua violência desmedida social ao contrário. Causa repulsa, por exemplo, a cena em que Ward é espancado e estuprado por negros num quarto de motel quase até a morte.

Irreconhecível com seu sotaque do sul, excesso de maquiagem e trejeitos de perua, Nicole Kidman surpreende mais uma vez, a revelia de sua beleza estonteante. Mas sou forçado a reconhecer que a melhor coisa do filme não é ela. O que mais gosto em Obsessão é a estilização da cultura sulista americana impregnada pela convincente direção de arte e trilha sonora arrebatadora.

* Este texto foi escrito ao som de: Hitsville USA, Vol. The Motown Singles Collections (1959 – 1971)

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