Constituição: 25 anos depois

Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, dois símbolos da redemocratização do país

Tancredo Neves e Ulysses Guimarães, dois símbolos da redemocratização do país

Em 1988 eu tinha 12 anos. Ainda brincava de carrinho no quintal de casa e me engatinhava musicalmente fuçando a discoteca do coroa. E também não entendia nada de política, embora eu tenha chorado horrores três anos antes, quando o Tancredo Neves morreu. E quer saber? Até hoje, quando escuto Coração de estudante, com Milton Nascimento, fico com um nó na garganta.

E porque estou dizendo isso? Ora bolas, porque outro dia vi uma reportagem na Globo News sobre os 25 anos da Constituição Federal brasileira e a figura não só de Tancredo Neves, mas de tantos outros políticos emblemáticos da época vieram à tona à sombra do assunto, entre elas Ulisses Guimarães, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, o Dr. Ulysses.

Gozado como os tempos mudaram de lá para cá. Até os políticos eram diferentes, mais sérios, pareciam fazer política de outro jeito, tinham mais idealismo e, se não era isso, existia certo romantismo cívico no ar por conta das Diretas Já e da luta de redemocratização do país.

Hoje não, hoje o Congresso é cheio de pelegos que estão em busca de troca-troca não em favor do povo, mas de interesses próprios, um escândalo, uma vergonha.

Bom, mas eu estava falando da Constituição brasileira e é um absurdo que poucas pessoas têm em casa essa publicação tão importante para a nação. Muito mais do que a bíblia ou livros similares, a Constituição é um livro que não deveria faltar na estante de qualquer pessoa decente Constituiçãoporque todos os nossos direitos e deveres constam ali de forma minuciosa.

E se olharmos ao redor, vamos ver que muito desses direitos e deveres, 25 anos depois de promulgada a nova Constituição Brasileira, a famosa Constituição Cidadã, ainda não representam uma realidade no nosso dia a dia.

Motivado pela reportagem especial da Globo News, fui folhear a Constituição e me deparei, por exemplo, com o capítulo que versa sobre os Direitos e Garantias Fundamentais. Lá no artigo 6º a Constituição descreve que “são direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados”.

Pergunto de si para si se o estado deu ou dá conta de atender o povo brasileiro com essas demandas todas? Claro que não, basta dá uma olhada ao redor e ver que a nossa educação e saúde – só para ficar em dois itens -, são uma vergonha, um escândalo. E ao constatar isso, me vem à cabeça uma frase do economista, diplomata e político Roberto Campos, citada por uma das jornalistas nessa matéria da Globo News.

“Não é a lei que precisa ser forte, é a carne que não pode ser fraca”.

Enquanto isso, ao soprar das velinhas dos 25 anos da Constituição, somos obrigados a aturar essa promiscuidade política entre os partidos que no final das contas, não dá em nada. Estados Unidos e Inglaterra funcionam há séculos com dois partidos, respectivamente, Democratas e Republicanos. Trabalhistas e conservadores.

Aqui no Brasil é essa sopa de letrinha que não dá em nada. Diante de tanto desrespeito e injustiça social sugiro que rasguemos a Constituição brasileira e instauremos aqui o anarquismo. Abaixo à hipocrisia.

* Este texto foi escrito ao som de: The Bootleg Series Vol. 6 – The Rolling Thunder Revue (Bob Dylan – 1975)

Bob Dylan 1975

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