Como eu ganhei a guerra (1967)

John Lennon na pele do soldado Gripweed, numa atuação convincente e honesta...

John Lennon na pele do soldado Gripweed, numa atuação convincente e honesta…

Em meados de 1966, insatisfeitos e entediados das exaustivas turnês que andavam fazendo, mundo afora, os Beatles resolveram dá um tempo à temporada de shows. Paul McCartney foi trabalhar na trilha sonora do filme The family way (Lua de mel ao meio dia), George aprofundou seus estudos sobre a religião e música indiana ao lado de Ravi Shankar, Ringo dedicou mais tempo ao lado da mulher Maurreen, então grávida. No turbilhão de um casamento conturbado com Cynthia Power, restou a John Lennon preencher o vazio junto com o filho Julian em Weybrigde.

A salvação para esse falso clima de idílio familiar foi o convite do diretor Richard Lester para que ele participasse como ator coadjuvante na comédia anti bélica, Como eu ganhei a guerra (1967).

Nos meus tempos de beatlemaníaco esse filme era uma espécie de tesouro perdido. Nunca pensei que fosse algum dia assistir à fita, de tão cult que ela é.

Rodado em Hamburgo e Almería, no Sul da Espanha, Como ganhei a guerra conta a história de um comandante atrapalhado e medíocre que gosta de se gabar de seus feitos na 2ª Guerra Mundial, mas a diferença entre o que ele diz e o que aconteceu é enorme. Na trama, Lennon interpreta o soldado Gripweed.

“Não, eu toco gaita”, ele responde, quando um superior lhe pergunta se é casado.

Por ter sido o diretor de A hard day’s night e Help!, Lester – que foi convidado e declinou filmar Ardil 22 -, conhecia de perto o perfil e humor cáustico de Lennon e lhe deu um papel condizente com o espírito cômico debochado de suas produções ao lado dos meninos de Liverpool. Até porque o roteirista do projeto era Charles Wood, co-roteirista de Help!John Lennon

O enredo gira em torno de um pelotão britânico em campanha no Norte da África encarregado da surreal missão de construir um campo de críquete atrás das linhas inimigas. Na trilha dessa tarefa absurda, uma sequência de situações inusitadas e esdrúxulas veem à tona. Numa delas, por exemplos, soldados entram em ação vestidos de clown no comando de uma operação de ataque. Noutra, um comandante em fúria desesperado com os surtos de um soldado, vira-se para câmera e briga com espectadores sádicos.

Na época, John Lennon declarou que a motivação para fazer o filme era a mensagem anti bélica da fita, elucidada por meio de piadas visuais e diálogos hilários cheios de humor britânico. Exemplos não faltam, como mostra essa passagem, já nos minutos finais da fita. “O que você vai fazer agora?”, diz um deles, já morto. “Ouvi falar de um tal de Vietnã”, ironiza um segundo.

Embora um papel secundário, Lennon teve espaço de sobra para mostrar um desempenho seguro, a ponto de o diretor Richard Lester o incentivá-lo a seguir os passos de pares como Frank Sinatra e Elvis Presley no cinema. A história mostrou de que lado o ex-beatle ficou.

Enfim, Como ganhei a guerra não é nenhuma obra-prima da sétima arte, mas não é todo dia que se vê um John Lennon tirando onda de ator por aí.

* Este texto foi escrito ao som de: Magical mystery tour (The Beatles – 1967)

Mistery

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