O tempo e o vento (2013)

Fernanda Montenegro e Thiago Lacerda, amor que os anos não separam

Fernanda Montenegro e Thiago Lacerda, amor que os anos e nem a morte separam

Toda vez que ouço falar do escritor gaúcho Érico Veríssimo, me lembro do tempo em que perdia ônibus no Eixinho Sul, quando estava indo para a Faculdade. Nem me zangava por causa disso porque posso garantir que as histórias do grande romancista eram bem mais divertidas e instrutivas que as aulas medíocres da faculdade que eu aprendia muito pouco ou quase nada.

Mas acontece que do Érico Veríssimo só li os primeiros livros, tramas curtas como Clarissa, Caminhos cruzados e Música ao longe. Sua obra clássica eu ainda não tive tempo de encarar, mas confesso que quando vi outro dia no cinema a bela adaptação de Jayme Monjardim, fiquei com vontade de ler o épico O tempo e o vento que tenho completinho em minha estante mágica.

Dividido em três partes, a monumental obra conta a história do estado do Rio Grande do Sul a partir da trajetória de tragédias, conflitos pessoais, feitos heroicos, paixões arrebatadoras e redenção de duas famílias ficcionais da região, os Terra e os Cambará. Quem tem mais de 30 anos como eu, se lembra com certeza da versão televisiva da Rede Globo dirigida por Paulo José nos anos 80. E talvez tenha sido por conta dessa lembrança imagética que fui ver a nova leitura da saga rio grandense e não me decepcionei.

O tempo e o vento 3Primeiro porque a fotografia de Affonso Beato é deslumbrante com os registros plasticamente hipnotizante das auroras e crepúsculos servindo como pêndulos do tempo. Depois por causa das atuações marcantes de grandes astros da telinha e das telonas como José de Abreu, Paulo Goulart, Leonardo Medeiros e Fernanda Montenegro, além do jovem Thiago Lacerda, impecável com um certo capitão Rodrigo.

Aliás, a narrativa enxuta do filme se concentra em seu personagem e nas lembranças que ele carrega ao lado da amada Bibiana, vivida quando jovem por Marjorie Estiano (em atuação memorável) e mais velha por Fernanda Montenegro. Por mais que se concorde e sejamos apaixonados pelo charme e talento de Tarcísio Meira, não tem como deixar levar pelo carisma de Thiago Lacerda, um príncipe do sul com seu impecável uniforme militar e presença de espírito vigorante.

“Fique tranquilo padre, ainda não inventaram a bala que há de me matar”, diz o seu personagem no clímax da aventura.

Até pela grandeza da narrativa clássica de Veríssimo – uma romancista impecável – e vasta gama de personagens que desfilam na trilogia, seria quase impossível de Jayme Monjardim e a equipe de roteirista que capitaneou contassem todas as peripécias dos Terra e Cambará em pouco mais de 120 minutos de filme. Por isso mesmo que o cineasta optou em verter para as telonas apenas o primeiro volume da saga, O continente, sugerindo que ele encare no futuro o desafio de filmar os outros tomos.

O que para mim seria ótimo já que O tempo e o vento é bem melhor do que Olga, pelo menos do ponto de vista do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Plato Divorak & os Exciters (2007)

Plato

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