O fabuloso destino de Amélie Poulain (2001)

Finalmente me deixei sensibilizar pela ternura e inocência da jovem francesinha

Finalmente me deixei sensibilizar pela ternura e inocência da jovem francesinha

Acho que eu fui o único sujeito daquela sessão que não tinha achado a menor graça no filme francês sensação do momento, O fabuloso destino de Amélie Poulain. Talvez fosse pela minha implicância com a atriz Audrey Tautou, que alguns críticos afobados andavam dizendo, veja você, que era a “nova” Audrey Hepburn do pedaço. O que seria equivalente afirmar que deus estivesse bem ali na esquina. Mas o fato é que achei aquela narrativa didática, meio infantilóide, cansativa e desdém o filme categoricamente.

Mas não há nada que o tempo não resolva, repare ou cure e, outro dia, ao rever a fita dirigida por Jean-Pierre Jeunet, na tevê a cabo, tive uma nova surpresa. Não é que eu tenha gostado da fita, mas digamos que vi a história com outro olhar. Um olhar cheio de ternura e ingenuidade e olha que eu não tinha conhecido a menina Poulain de carne e osso que tanto me encantou outro dia. E por isso mesmo, quando a conheci, me lembrei do filme e de como havia gostado dela. De certa forma, ela me motivou a escrever este texto.

A história é simples e gira em torno de uma garçonete melancólica e sonhadora que tem como meta de vida querer o bem ao próximo, promover a felicidade alheia. Dom que descobriu, assim, quase que sem querer, justamente no dia em que a princesa Diana morre, e isso faz dela um ser humano peculiar. “São tempos difíceis para os sonhadores”, constata a jovem com pragmatismo contundente.

Amelie PoulainUm dia, ela, que sempre foi criada sem afeto pelos pais – pessoas autistas e metódicas que entediava até o peixe de estimação da família, que tentou suicídio algumas vezes -, descobre o amor e a trama carregada de fantasias e sutilezas sensoriais, nos conduz nesse labirinto afetivo da personagem em busca de seu príncipe urbano encantado.

O jovem em questão é Nino (Mathieu Kassouvitz), balconista de uma loja de sex shop que tem por hobby colecionar fotos de estranhos tiradas naquelas cabines retros. Dá início então a um jogo de gato e rato, com ela timidamente relutante em se revelar a ele que, cada vez mais curioso, tenta saber quem é essa admiradora secreta. “Quando chega hora é preciso saltar sem hesitar”, diz Amélie, sabendo que não pode deixar a oportunidade esvair por entre os dedos.

Norteado por boa dose de romantismo e inocência, O fabuloso destino de Amélie Poulain é meticuloso no belo trabalho de direção de arte e fotografia que explode em matizes verdes, alaranjados e vermelhos. A impressão que se tem é que estamos diante de uma versão pop de Alice no país das maravilhas. Os figurinos estilosos e autenticamente franceses é condizente com a simpatia da personagem-título, sempre cercada de tipos estranhos, mas inofensivos, dentro do drama particular que cada um vive, como o frágil e vítreo velhinho que nunca sai de seu apartamento, mas que de tudo sabe.

E eis aí a grande beleza da jovem Amélie, a de fazer bem, sem olhar a quem.

* Este texto foi escrito ao som de: Moon safari (Air – 1998)

Air

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s