Porque o meu voto é nulo

Essa cara de novo não, mas o povo burro insiste em ressuscitá-lo

Essa cara de novo não, mas o povo burro insiste em ressuscitá-lo

Na revista Veja desta semana, uma matéria assinada pelo repórter Hugo Marques conta que o ex-governador José Roberto Arruda não só é candidato a deputado federal, como, pasme meu chapa, pode contar com o apoio, veja você, do governador Agnelo Queiroz. Cristo, na reportagem o jornalista segue dizendo que, Arruda, o mesmo que já renunciou a cargos públicos por duas vezes e foi preso por corrupção e ainda expulso de um partido, ganharia em qualquer cargo que candidatasse. O tipo de coisa que só acontece no Brasil Sucupira.

Caramba, eu não entendo nada de política, nem quero entender, mas fico cá pensando com os meus botões que tipo de gente é essa que votaria no José Roberto Arruda? Ou em qualquer outro candidato que não teria seu nome aprovado em pleito de muito prédio por aí, quanto mais no programa ficha limpa. Mas quer saber? Muita gente. Outro dia mesmo um colega flagrou duas peruas na fila do supermercado dizendo de boca cheia que votaria no Arruda. Coitadas, eu não votaria nem em mim…

De qualquer forma a notícia sobre a possível volta do corrupto Arruda só fez aumentar minha descrença nos políticos, na política brasileira de um modo geral, enfim, no povo brasileiro que não sabe votar ou pior, gosta de ser enganado. Eu tenho vergonha na cara e sugiro que você que está lendo esse texto tenha também. E tem mais, seguindo o exemplo do discurso feito pelo Dinho do Capital Inicial no Porão do Rock, quando ele usava um nariz de palhaço, vou votar nulo nas próximas eleições. Voto meu nenhum safado vai ter.

Chega de oposição e situação no poder. Já estou farto de petitas oportunistas no governo e não Nuloquero saber mais de direitistas enganadores lá em cima novamente. E não me venham com uma terceira via, uma terceira alternativa porque ela é tão canalha quanto os outros dois, ou seja, todos são farinha do mesmo saco e ponto final. Qual a solução, então? Bem, tem uma frase que abre o filme Os doze macacos que gosto muito e liquidaria com a situação: “A raça humana deveria ser extinta da face da Terra”.

Quando eu era mais jovem do que sou hoje, tinha Fidel Castro e o modelo cubano como o ideais de um líder e uma nação. Guevara era quase deus em minha cosmologia juvenil, mas daí o cara foi assassinado e o socialismo da ilha caribenha se transformou numa ditadura de republiqueta de banana.

Bom, fui da geração “Anos Rebeldes” e também saí às ruas com cara pintada para derrubar um presidente corrupto porque, espelhados nos líderes estudantes dos anos 60 que lutavam contra a ditadura e sonhavam em mudar o mundo, eu também queria ser uma metamorfose ambulante. No futuro, um desses líderes estudantis seria o pivô de um dos maiores escândalos da política recente, o Mensalão.

Lula era um homem do povo como eu e você, um pobre humilde trabalhador que perdeu o dedo vítima da opressão do ofício, mas transformou sua vida sofrida numa lição de superação ocupando o cargo mais importante do país por dois mandatos. Lula também foi meu ídolo, ficava comovido só de ouvi-lo falar em defesa dos pobres, das injustiças sociais que prometia combater e em parte ele até fez, mas como profetizou Rousseau, o meio o corrompeu. E para mim, não existi pior crime que o da omissão.

Como se vê, todos os meus ídolos me traíram. Definitivamente perdi a fé no ser humano. Sobretudo o homem político.

* Este texto foi escrito ao som de: Revival (John Forgety – 2007)

Revival

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2 comentários sobre “Porque o meu voto é nulo

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