46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Um dos destaques da Mostra Brasília, documentário conta a história do projeto T-Bone

Um dos destaques da Mostra Brasília, documentário conta a história do projeto T-Bone

Começa hoje a 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Casa nova, com o Cine Brasília um brinco de bonito depois da reforma de verdade realizada pelo governo, mas confesso que não estou nem um pouco entusiasmado com o evento cinematográfico mais importante do país. Por quê? Ora bolas, depois de mais de 10 anos de coberturas, muitas histórias contadas e presenciadas, uma infinidade de entrevistas realizadas, admito que ando cansado desse papel de cinéfilo velho de guerra, se me permite o trocadilho o mestre Vladimir Carvalho. Sabe como é, né? Barba branca e uma falta de paciência ululante.

Para ser sincero, a bem da verdade é que, de uns tempos para cá, o Festival de Brasília anda capenga, deixando muito a desejar tanto na organização, quanto na seleção dos filmes para a mostra competitiva. Tanto é que nos três últimos anos não tive saco para acompanhar a mostra até o fim, abandonando as sessões antes do fim.

E não é por falta de filmes no mercado ou talentos na praça não porque as duas coisas têm de sobra por aí e acolá, mas acho que o problema está na comissão que seleciona as produções que fazem parte do Festival. Ou seja, os cara são despreparados e há tempos que vigora ali a mesma patotinha de sempre, o mesmo grupelho de anos encarregado das decisões importantes e cruciais e o reflexo está numa máquina viciada e o que é pior, entediante.

Vamos ver se este ano dá pé no sentindo de uma mudança radical no encontro, com uma formatação mais atraente e convincente que esteja à altura da importância do evento, enfim, algo dos tempos de glória do Festival de Brasília.

Anda muito cansativo, confuso e chato, por exemplo, essa história de ter mostras competitivas separadas Festival de Brasília 3para filmes de ficção e documentário. Para mim tinha ser as duas coisas juntas do jeito que era antes até porque tudo é cinema, não é verdade?

Bom, mas dei uma olhada nos concorrentes deste ano nas duas mostras e me despertaram atenção, logo de cara, dois estreantes no gênero de ficção: os documentaristas Paulo Sacramento e a colombiana Paula Gaitán, última esposa do cineasta baiano Glauber Rocha. O primeiro com o drama, Riocorrente. Gaitán traz a história de uma mulher em busca do grande amor de sua vida no road movie, Exilados do vulcão.

Fiquei curioso em ver também o documentário sobre o Silvio Tendler, embora não tenha mais paciência para assistir filmes sobre superação já que, todos, salvo raras exceções, descambam para a pieguice sentimental. Nem sabia que o Tendler, que já entrevistei várias vezes no Festival de Brasília, estava de cadeira de rodas, passando maus bocados e aqui vai um esgar de curiosidade mórbida minha.

De resto, para aqueles que for acompanhar o Festival, sugiro que fiquem atentos, à Mostra Brasília, programação paralela que traz como atração uma gama diversificada de produções e temas sobre nossa cidade em projetos ficcionais ou não. Todos eles, de uma maneira ou de outra, tentam contar um pouco da história da cidade por meio de seus personagens e a relação que eles têm com a cidade.

Um exemplo é o documentário, Cidadão Brazza, que regasta a memória e feitos do cineasta bombeiro, Afonso Brazza, figura folclórica da cena cultural de Brasília. Sem falar, claro, do registro, T-Bone Açougue Cultura, que conta a história de Luiz Amorim, um açougueiro amante dos livros que transformou sua paixão num importante e potencial agente de intervenção sócio cultural.

Se liga meu chapa que, entusiasmado ou não, o Festival de Brasília começou.

* Este texto foi escrito ao som de: Film (Phonopop – 2013)

Phonopop

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