O teatro desnecessário do STF

O Gilmar Mendes é que tem razão quando diz que o STF está dando voltas com essa história do mensalão

O Gilmar Mendes é que tem razão. O STF está dando voltas com essa história do mensalão

Quinta-feira, última, viajei 150 km ouvido no carro, via CBN, o julgamento dos embargos infringentes. O drama já começou com a tentativa de eu entender o que diabo seria esses “embargos infringentes” que achava, veja você, que fosse algo no “frigir dos ovos”. Quando entendi esse pequeno imbróglio, a outra patuscada era raciocinar a lógica do voto a favor e contra desse troço.

Não é fácil para um leigo como eu e muitos outros brasileiros compreender a lógica da embromação verborrágica e política desse povo do judiciário. E digo isso de boca cheia porque já trabalhei com esse eles e vi que é um bando de corporativistas que só olham para o umbigo. Daí rola muita vaidade, ego e jogo de interesse, sobretudo os próprios.

Pois bem, e lá estava eu na quinta-feira voltando para casa e ouvindo no carro aquele blá, blá, blá incessante todo que não acabava nunca para dar a porcaria de um mero voto. De repente me flagrei “popotizado” pela lábia de um Gilmar Mendes, de um Roberto Barroso, de um Marco Aurélio e não conseguia desgrudar o ouvido da CBN.

Sim, porque o teatro dessa turma do Supremo é tamanho, tão convincente que nos deixamos levar por aquela lereia toda e logo estamos torcendo, sabe-se lá, por quem ou por que. E explico o motivo, diga o que disserem, mas os caras têm uma retórica boa. Tudo bem, sabemos que não passa de engodo jurídico, uma marmelada de rábula, mas a oratória dos caras é quase persuasiva. E de mais a mais, o povo, por mais ignorante que seja, adora um arranca rabo, um Mensalãobate-boca frenético, mesmo entendo patavina do que está acontecendo.

O Gilmar Mendes, com sua voz tonitruante de profeta dos filmes do Cecil B. Mille é que tem razão quando diz que a corte jurídica mais alta do país está dando voltas nesse julgamento dos mensaleiros. Quando teve a palavra, a bronca foi tremenda, dura e como é teatral sua explanação. E olha que eu só estava ouvido no rádio, mas logo vi a imagem do carequinha com aquele capuz ridículo, dedo em riste, botando para quebrar. E eu disse capuz ridículo, mas poderia ser pior. Já imaginou a turma do Supremo de peruca como nas cortes britânicas?

Bem, quando foi a vez do vaselina do Marco Aurélio falar, tomou um puxão de orelha do novato Roberto Barroso com aquela balela de se deixar influenciar pela opinião pública e imprensa, ressentindo-se em sua postura de veterano esnobe. “E olha o novato querendo desafiar os colegas da casa”, disse.

Como se vê, no fundo, no fundo, tudo não passa de um duelo de vaidades e egos que não justificam a demora de um dia inteiro para a porra de um voto. Ou mesmo de uma semana ou mais para o voto de Minerva. Ou ainda essa demora cretina para julgar os culpados do Mensalão que já vai não quantos anos. Que acabe logo com essa trama rocambolesca que o país não aguenta mais isso. O povo não merece esse teatro desnecessário do Supremo Tribunal Federal de seus arlequins do poder.

Na Justiça, uma semana, um dia, cinco minutos podem durar a eternidade.

* Este texto foi escrito ao som de: Teenage head (The Flamin’ Groovies – 1971)

Teenage Head

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