A filha do meu melhor amigo (2012)

Hugh Laurie, o mr. House, no centro de uma crise familiar...

Hugh Laurie, o “mr. House”, no centro de uma crise familiar…

Cartazes de filmes às vezes podem ser inibidores. Por isso que vai o conselho: nunca confiem nos cartazes, trailers e nos títulos em português de algumas produções distribuídas por aqui. Porque na boa, muitos deles não dizem nada. De modo que confesso na maior cara dura que, quando vi o pôster da comédia, A filha do meu melhor amigo, em cartaz na cidade já algum tempo, com aquele clima de Malhação e título nacional boboca, fiquei desanimado.

Mas, como bom cinéfilo que sou, mesmo assim encarei a parada, curioso em ver o desempenho do astro da série norte-americana House, no cinema. Rosto conhecido das pessoas dos trabalhos que faz na televisão, o ator inglês já andou fazendo alguns filmes no passado, mas para muita gente vê-lo nas telonas é uma grata novidade.

Aqui ele é David, um pai de família aparentemente quadrado que, morando num confortável e simpático subúrbio de New Jersey, tem o hábito de todos os dias fazer a tradicional caminhada com o vizinho e melhor amigo, Terry, vivido pelo ótimo Oliver Platt. Apaixonado por basquete, todas às noites David se enfurna na cabana dos fundos da casa para ver os jogos preferidos do esporte, mas não desconfia que a rotina seja um implicativo de que a relação conjugal não anda nada bem.

A confirmação de uma crise no lar escancara sua cara com a chegada à cidade de Nina (Leighton Oranges 2Meester). Ela é filha de Terry e Cathy (Allison Janney) e no passado teve um affair com o filho de David e Paige (Catherine Keener). Viajada, descolada e assanhada – ah, sim, e também abandonada pelo namorado -, ela nem dá pelota ao namorico de infância e lança suas garras em cima do charmoso e carente David, um lobo solitário em seu casamento de fachada.

“Eu quero ser feliz!”, diz ele, em visível crise da meia idade.

Pronto, o romance proibido entre o coroa David e a ninfeta Nina instaura uma crise no ceio das duas famílias que, como num enredo de Nelson Rodrigues ou Tennessee Williams, deixam vir à tona todo um rol de ressentimentos, hipocrisias burguesas e afetos destruídos. “Quando você for mãe vai saber o que é ter uma filha que te odeia”, se desespera Paige, que anda às turras com a jovem egoísta recém-chegada.

Dirigido pelo inglês Julian Farino, experiente na condução de séries de televisões – entre elas alguns episódios de Sex and the city e The Office -, A filha do meu melhor amigo passa longe de Malhação, como minhas impressões equivocadas acusaram. Norteado por trilha sonora cativante, até gostosinha, texto engraçado e situações inusitadas, o filme é convincente na sua discussão sutil sobre a opressão das regras, de um sistema cheio de preconceitos em que vivemos.

Diante de tanta porcaria do cinema norte-americano que temos visto por aí, essa comédia despretensiosa que conta com um elenco de primeira, bem dirigido, por sinal, explora bem os conflitos do amor entre gerações diferentes. É meu caro, a paixão às vezes não é nada racional. E que bom que é assim.

* Este texto foi escrito ao som de: Forever cool (Dean Martin – 2007)

Forever cool

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