Cine Brasília de cara nova!

O espaço cinematográfico mais cativo da cidade merece uma programação de peso

O espaço cinematográfico mais cativo da cidade merece uma programação de peso

Meninos eu vi, eu estava lá na reinauguração do “novo” Cine Brasília, ontem, e posso dizer que o espaço ficou um brinco, uma joia mesmo de tão bacana. Poltronas confortáveis, telona brilhando e decoração sóbria. À primeira vista, até parece uma daquelas maquiagens vagabundas de tempos passados toda vez que ia começar mais um festival, mas agora é pra valer, com tudo arrumado e bonito para o evento cinematográfico mais importante do país que tem início no próximo dia 17, ou seja, a 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

Para testar a reforma que custou R$ 8 milhões, a Secretaria de Cultura promoveu um evento-teste com a realização do II Fest FAC 2013, no qual serão exibidas produções da cidade promovidas pelo recurso local. O destaque dessa noite de abertura foi o curta-metragem de Iberê Carvalho, Procura-se, e o longa-metragem de Andre Luiz Oliveira, Louco por cinema, vencedor de Melhor Filme e Direção no evento, em 1994.

O discurso do secretário de cultura Hamilton Pereira, como todo falatório do gênero foi longo e chato demais, mas ele disse uma coisa importante que gostei. Que o Cine Brasília faz parte da memória afetiva de muitos brasilienses e é verdade. Eu, por exemplo, perdi a conta de quantas vezes cortei a 709 Sul, onde morava, até o cinema mais charmoso e antigo da cidade, só para ver, em películas, obras clássicas do cinema nacional e internacional como Deus e o diabo na Terra do Sol, Repulsa ao sexo, de Roman Polanski, além, claro, de trabalhos marcantes de mestres como Fellini, Júlio Bressane e tantos outros.

Eram imperdíveis as mostras realizadas pelas embaixadas e alguns festivais que cobri são inesquecíveis pela reação imprevisível e autêntica do público de Brasília que, ao contrário dos políticos da cidade, não escondem suas caras e verdades.

Recordo também com graça dos micos que paguei cobrindo o evento, quando da vez que a deliciosa atriz Alessandra Negrini me deixou falando sozinho na frente de todo mundo. Acho que ela queria era sair na Globo e, definitivamente, eu não era o Otto. Aliás, uma das coisas gostosas dos festivais do Cine Brasília era a proximidade com os artistas.

Louco por cinemaE ainda tem o elemento surpresa, como por exemplo, assistir ao filme Louco por cinema, de Andre Luiz Oliveira, que eu ainda não conhecia. Só espero que o governo não negligencie o público que tanto ama esse espaço cativo da cidade com uma programação insossa, como vinha acontecendo nos últimos tempos. Concordo com uma amiga que defende a ideia de uma parceria entre a Secretaria de Cultura e o CCBB, enfim, entre a Secretaria de Cultura e a Cinemateca de São Paulo que tem uma carta de filmes maravilhosa.

Porque seria desperdício um puta espaço como este, agora novinho em folha, jogado às moscas, com um ou dois gatos pingados numa sessão, como cansei de ver – até porque um dos gatos pingados era eu -, por falta de uma programação atraente. Autoridades (in) competentes do Distrito Federal! Não basta só reformar, mas tem que dar vida inteligente ao Cine Brasília. Vida inteligente de forma eficiente que interage com os cinéfilos da cidade, que na capital do poder, são muitos. Nós, amantes e loucos por cinema, merecemos isso!

* Este texto foi escrito ao som de: Fold your hand child, You walk like a peasant (Belle & Sebastian – 2000)

B & S 7

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