Sob o signo do suicídio e da estultice…

Gente, ajuda o homem aí que, além de surdo parece autista...

Gente, ajuda o homem aí que, além de surdo parece autista…

Certa vez uma garota sádica me deu um fora e eu, movido por uma infantilidade cínica, veja você, quis cometer suicídio pulando do meio fio. Putz! Isso não ia dá em nada, se muito num tornozelo quebrado, uma unha encravada, embora o que eu queria mesmo era o pescoço partido em dois. Mas acontece que sou um covarde nato e tenho duas sobrinhas para criar, de modo que desisti da ideia logo, logo. E ainda teria o constrangimento de ouvir lá do além-inferno o deboche da amada esnobe:

– Ufa, amiga! Desse eu me livrei.

Mas confesso que sinto certa inveja dos suicidas, enfim, da coragem deles. Cá entre nós, é um ato encarado por muitos como egoísta, mas eu digo que é preciso ter muito peito para dar um tiro na boca, como fez o ex-baixista do Charlie Brown, o Champignon, ou fazer que nem um primo meu, que bebeu uma lata de veneno e teve as tripas estouradas por dentro.

Nem discuto muito ou tento entender o que leva uma pessoa a cometer um ato tão bárbaro e brutal como este, mas dizer o contrário com clichês vagabundos como “a vida é bela” ou “viver é tão bom” é de uma estultice equina. Sim, porque no fundo, no fundo todos nós sabemos como é barra de viver num mundo insano como este em que estamos.

ChampignonTenho um amigo meu, o Pedrão, que é categórico, de um pragmático bíblico sobre o assunto: “Porque as pessoas insistem em ter filhos num mundo biruta como este?!”, pergunta ele ululante. Bom, como dizia o badalado colunista Ibrahim Sued: concordo em gênero, número e “degrau”.

E por falar no Turco, me lembrei de outro árabe lelé da cuca – mas nem um pouco divertido -, o pescoçudo presidente da Síria, Bashar al-Assad, que acha que é bonito ser feio. Pior. Que acha que é engraçado ser ridículo. “Preparem-se para tudo”, disse o debiloide diante de um possível ataque norte-americano ao seu minúsculo país. Na verdade isso é medo, desespero.

E quer saber? Essa guerra civil por lá, assim como essas manifestações bobocas por aqui, já deu o que tinha que dá. Ou melhor, está dando nos nervos e só de ouvir sobre esses assuntos fico sapateado como uma bailarina espanhola em cima dos meus tamancos.

Claro, sou contra um bombardeio à soberania de qualquer país, como já fizeram tantas vezes os “certinhos” e “legais” norte-americanos, sobretudo porque muitos inocentes acabam pagando pelo pato. Mas o problema é que deixar outro lunático dizimar seu povo porque intransigência político religiosa é de cuspir para cima. E qualquer criança de chupeta e dedo na boca sabe que, se a Síria tivesse petróleo, essa palhaçada toda já tinha acabado há muito tempo.

É por essas e outras que nem faço muito esforço para tentar entender o gesto brusco do músico Champignon. O Jean-Paul Sartre é que tinha razão. “O inferno são os outros”. Ou melhor. Prefiro acreditar que o inferno somos todos nós, viu.

* Este texto foi escrito ao som de: The Bootleg Series Vols. 1 – 3 (Rare & Unreleased 1961 – 1991) (Bob Dylan)

Bootleg Bob Dylan

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