A dança dos vampiros (1967)

Roman Polanski e a bela Sharon Tate, namorados em cena nessa comédia de terror

Roman Polanski e a bela Sharon Tate, namorados em cena nessa comédia de terror

Até que eu me esforcei, mas até hoje não consegui gostar de A dança dos vampiros, primeiro filme de Roman Polanski produzido com dinheiro de Hollywood. Escrito por ele e o eterno parceiro Gerárd Brach, durante umas férias dos dois nos Alpes austríacos, a fita é uma homenagem debochada às produções icônicas de terror dos estúdios ingleses Hammer.

Quando finalizou o roteiro Polanski, em sua famosa falta de modéstia, disse entre amigos que venderia a história em um mês para os estúdios norte-americanos. Levou dois para que concretizasse o feito.

Aparentemente um pouco terror e um pouco humor, a produção dividiu a crítica na época, o que mostra que não estou de birra com o trabalho do cara, que gosto muito, aliás. A revista Time, por exemplo, foi impiedosa, dizendo que o projeto “(…) Nem era engraçado, nem assustador. O filme nunca chega a se levantar do caixão”, ironizava a famigerada publicação. Mas há quem gosta ou gostava de forma apaixonante desse trabalho, como é o caso do ator Steve McQueen, que chegou ver o filme doze vezes.

A dança dos vampiros dvfNarrado em tom de paródia, A dança dos vampiros conta a história de um professor meio biruta especialista em criaturas sugadoras de sangues (Jack MacGowran) que, junto com seu ajudante apatetado, Alfred (Roman Polanski), decide desvendar os mistérios por trás do Conde Von Krolock, estranho habitante da longínqua Transilvânia. O que era para ser uma rotineira visita de pesquisa se transforma numa confusa e atrapalhada experiência entre simples mortais e seres sobrenaturais malignos.

“(O filme era) Uma afetuosa paródia aos filmes de terror da Hammer, com valores contemporâneos”, diria na época o cineasta franco-polaco, Roman Polanski.

Nas entrelinhas, os tais valores contemporâneos aos quais ele se referia eram, entre outras coisas, muita violência, uma boa dose de sensualidade, e insinuações debochadas que descaracterizava a história original, como o homossexualismo de um dos vampiros, no caso o filho do Conde Von Krolock.

Confesso que até hoje tenho dificuldade em detectar tanto o terror, quanto o humor nesse filme de Polanski, onde ele deixa sobressair mais o lado de ator do que o de diretor. Na pele de um idiota amável e ingênuo que, volta e meia se mete em situações dignas das comédias pastelões de Chaplin e dos irmãos Marx, o diretor-ator é diversão pura com seu semblante apatetado. Gosto em particular das cenas da fuga em que ele é o protagonista.

Mas a melhor coisa de A dança dos vampiros é a deliciosa Sharon Tate, que vive, aqui, uma jovem inocente que é mordida pelo Conde longo no início da trama. Cabe ao abobalhado Alfred salvar sua musa do perigo e, de lambuza, roubar seu coração, o que ele faz, mas mediante a um preço bem alto que o público só descobrirá nos últimos minutos.

O lado mais sombrio de Roman Polanski ainda estava por vir, no seu trabalho seguinte, o grande sucesso, O bebê de Rosemary.

* Este texto foi escrito ao som de: Begin here (Germany bonus tracks) – (The Zoombies – 2001)

The Zombies

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2 comentários sobre “A dança dos vampiros (1967)

  1. Nossa, que decepção, achei que fosse ter um sarcasmo feito com sutilidade nesse filme. Estava até interessada em assistir, mas pela sua crítica parece ser meio bobo, né…

  2. São minhas impressões, Lívia… Até rola certo sarcasmo, mas nada sutil. É no estilo comédia pastelão mesmo, Chaplin, irmãos Marx e etc… Vale apenas assistir até para conhece. Vê e me fala o que achou… Muita gente que conheço gosta do filme… Eu não…

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