Frances Ha (2012)

A jovem Frances (dir.) e a amiga Sophie, levando a vida como podem numa grande metrópole

A jovem Frances (dir.) levando a vida numa boa ao lado da amiga Sophie

As críticas, os comentários entusiasmados e o boca a boca já davam sinais de que a comédia Frances Ha, em cartaz na cidade, demonstrava ser o grande queridinho do momento entre os cinéfilos. Mas, para um sujeito que não tinha lido nada sobre a fita até então, teve ingredientes a mais que despertaram minha atenção logo de cara para o mais novo projeto do diretor de A lula e a baleia (2005), Noah Baumbach.

O mais sintomático deles talvez seja o cartaz estiloso, retrô, monocromático do filme, tipo aquelas capas descoladas dos álbuns dos Smiths e do Belle & Sebastian que fizeram meu coração palpitar antes da sessão começar, ali no Casa Park. Depois, claro, veio a beleza graciosa da atriz norte-americana, Greta Gerwig, protagonista da fita.

Após quase passar despercebida em Para Roma com amor (2012), de Woody Allen, ela volta à bala aqui como a simpática Frances, uma jovem como outra qualquer que sonha um dia ser uma grande bailarina. Mas enquanto isso não acontece, ela vai levando a vida como pode, numa boa, ao lado de sua melhor amiga, Sophie (Mickey Sumner), com quem divide um apê em Nova York.

Acontece que um dia Sophie resolve ir embora e cabe a Frances agora procurar outro lugar para morar, ao mesmo tempo em que se vira para arrumar emprego para pagar as contas e sobreviver. Como você já percebeu, Frances é uma pessoa como outra qualquer que busca um lugar ao sol em meio a certa ingenuidade, muitos desafios e alguns dissabores numa grande Frances Ha 3cidade.

“Vou ser a garota com acne que tem mais acne”, desconversa ela meio que numa caricatura dos personagens losers vividos pelo genial Woody Allen.

Aliás, a citação aqui ao diretor nova-iorquino não é gratuita já que o roteiro escrito a quatro mãos por Noah Baumbach e Greta Gerwig, de um modo ou de outro, esbarra na obra intimista de Allen. Seja na fotografia em preto em branco de Manhattan ou nos conflitos aparentemente banais dos personagens de Hannah e suas irmãs (1986).

Mas não só isso. Tem um pouco também da nostalgia elegante de algumas produções da nouvelle vague e o tom direto e espontâneo de obras literárias como o confessional, O apanhador do campo de centeio, de J.D. Salinger.

Contudo, é nos detalhes que Frances Ha ganha o público mais sensível que pode se deliciar seja com o jeito meigo de uma menina do interior de Sacramento (de onde Greta Gerwig é realmente) perdida na solidão massacrante de uma grande metrópole, na sinceridade de atuações singelas ou com a trilha sonora eficiente que vai desde o funk soul do Hot Chocolate ao lorde David Bowie, com sua grudenta Modern love.

Saí da sessão flutuando diante da leveza com que o filme expõe temas tão ruidosos dos dias atuais com a esquizofrenia urbana, as paqueras homossexuais subtendidas e o individualismo dos tempos atuais. Tudo com muito humor e o que é melhor, inteligência. Só para provar que nem só de barulho e futilidade vive o cinema, mas também da sutileza emotiva de bons contadores de histórias. Essa menina Greta vai longe e eu vou junto com ela.

O cinema de autor ainda não morreu.

* Este texto foi escrito ao som de: Tigermilk (Belle & Sebastian – 1996)

Belle and Sebastian

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10 comentários sobre “Frances Ha (2012)

  1. Então, vi o filme hoje e lembrei do seu comentário sobre o Woody na hora. haha Adorei o filme e achei legal ter lido sua crítica antes 🙂

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