Sardas são como estrelas no céu

Deus sabia das coisas quando inventou as sardas e as estrelas…

O que ele mais gostava nela era as sardas. Claro, ela tinha os olhos cintilantes como a aurora boreal, como as estrelas da manhã e da noite, mas tinha as sardas. Acho que ele ainda a ama, acho que ele ainda ama as sardas dela. E queima de desejo por causa das sardas dela. E ele sempre achava que a pior coisa que podia acontecer a alguém era desejar uma pessoa e não poder fazer nada. E ele a desejava mais do que tudo na vida. E ele desejava as sardas delas mais do que tudo na vida.

E o charme dela era a quantidade certa de sardas pelo corpo, não muito, nem pouco, mas o suficiente, o bastante para imprimir certo encanto a sua persona, o it perfeito. E as sardas delas se espalhavam pelo rosto, pelos seios fartos, pelos braços macios com cheiro de nuvem, pelas costas com aquela cicatriz misteriosa e Cristo, ele queimava de desejo como uma folha seca ao Sol, quando via seu rosto cintilante cheios de sardas, seu corpo quente e suculento cheio de sardas.

Um dia, como de rotina, dormiu pensando nela abraçado ao travesseiro que rimava com romã e sonhou que a tinha em sua cama, com aqueles olhos radiantes como uma manhã de Sol com cheiro de hortelã, o corpo quente salpicado de sardas. Por debaixo do lençol límpido, translúcido, ele a abraçou com força e beijou seus lábios carnudos, sentindo o calor da sua respiração, o gosto úmido de seu hálito.

Sua voz meiga de anjo, doce como mel sussurrava palavras de desejo em seu ouvido de modo que arrepios mútuos surgiam na imensidão branca da cama, com pernas entrelaçadas, corpos em atritos passionais, como se um quisesse entrar dentro do outro.

De repente, descansou seu semblante pesado nos seios fartos dela que eram carregados de sardas, depois beijou sua fronte úmida de suor, em seguida beijou também seu sexo com delicadeza, roçou sua barba hirsuta na penugem escura de seu sexo com delicadeza, passeou com a mesma barba hirsuta pelo seu umbigo com delicadeza, chupou sua língua quente de desejo com delicadeza. Ela era um sinônimo de delicadeza.

E tinha os cabelos dela e os seus cabelos castanhos escuros eram macios como seda e eles deslizavam com facilidade por entre seus dedos delgados. Não tinha nada no mundo que o encantava mais do que os cabelos dela deslizando pela sua testa e suas madeixas tinha gosto, cheiro de sonho…

…Por isso que, quando ele acordou, achou odiosa e repugnante a realidade, por ser tão distante de sua obsessão pelas sardas de sua eterna musa platônica. Foi quando passou a traçar, liricamente, paralelos entre as sardas dela e as estrelas no céu, foi quando chegou a uma conclusão quase infantil, típica daqueles que estão perdidos de paixão, de desejo, de amor…

… Sardas são como estrelas no céu…

…E à noite, quando a solidão invadia seu quarto frio e triste ele caminhava lentamente até à janela e mirava com esperança o céu aboletado de estrelas e se lembrava de seu corpo quente cheio de sardas…

Se deus existe, ele sabia das coisas quando criou o céu estrelado e as mulheres com sardas.

* Este texto foi escrito ao som de: Viva la vida (Coldplay – 2008)

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10 comentários sobre “Sardas são como estrelas no céu

  1. Foram tantos anos tentando me livrar das sardas nos tempos de colégio, e hoje elas que me fazem ser diferente e especial. Muito lindo seu trabalho, adorei ver essa adoração por essas lindas estrela que chamam de sardas!

  2. Estou simplesmente encantada com as imagens que imaginei ao ler teu texto , é de uma delicadesa tão grande. Obrigada por me proporcionar isso.

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