Einstein discute sobre Hitler e Cristo

Einstein, um homem das estrelas, definitivamente um homem iluminado...

Como todo intelectual judeu em seu país, Albert Einstein teve que sair às pressas da Alemanha quando Hitler chegou ao poder, do contrário viraria churrasco nas mãos dos nazistas. A princípio, o cientista resistiu à ideia, mas quando viu que a coisa estava preta colocou parte dos manuscritos debaixo de um dos braços, a mulher Elsa do outro e partiu para os Estados Unidos. Instalados em Princeton, ele fazia inflamados discursos contra o homenzinho de bigode do outro lado do Atlântico e um dia a esposa o advertiu que ele parasse de falar mal do ditador e contratasse um guarda-costas.

“Você é uma covarde”, rebateu zangado.

Esse episódio quem conta é o seu biógrafo Denis Brian, no livro: Einstein – A ciência da vida.

Bem, já estou lendo a obra já faz um bom tempo porque sempre me encontro metido em outras leituras paralelas, mas quero deixar registrado aqui que estou fascinado por esse senhor de cabelos desgrenhados e roupas desleixadas. Que homem extraordinário e fantástico era ele. Para mim, um grande sábio e humanista que soube dosar seu talento como homem da ciência diante dos problemas sociais e políticos que o cercavam.

Hitler foi um deles e Einstein não teve medo de enfrentá-lo. E toda vez que alguém lhe perguntava sobre sua condição de refugiado e a questão da perseguição ao seu povo, os judeus, ele contava a anedota do judeu russo que precisava ir a Moscou.

O sujeito morria de medo de viajar e por isso se encolheu no vagão de terceira classe para não chamar atenção. Um cossaco entrou no trem e praguejou bem alto: “Malditos judeus, são culpados de tudo. Eles inventaram a fome e começaram a guerra”, disse perguntando ao judeu russo escondido no canto do vagão: “Não são culpados?”. Ao que o judeu russo respondeu: “São, os judeus e as bicicletas”. Com a pulga atrás das orelhas o cossaco questiona mal-humorado: “Porque as bicicletas?”. Sem pestanejar o judeu contrapõe: “E por que os judeus?”.

Einstein era um homem das estrelas e do espaço, tinha inteira intimidade com as coisas do céu como mostra os seus estudos e ensaios, mas sua relação com a religião e as forças metafísicas era quase nula. Se existia um Deus, assim como Hitler, ele tinha uma maneira bem peculiar de encará-lo.

Um dos primeiros amigos do cientista em Princeton, os Blackwood tiveram conhecimento desta visão cristão-judaica do cientista. Sabia que ele acreditava em uma força criativa, mas não em um Deus personalizado que se preocupava com as pessoas da terra.

“Albert lia com regularidade o Velho e o Novo Testamento, pelo valor literário e pelas histórias, e não especificamente pelas mensagens religiosas”, revela a filha da família de amigos.

Certa vez, sua mulher Elsa lhe entregou uma carta de uma mulher cujo filho dizia ser Jesus Cristo. O rapaz estava várias semanas no cume de uma montanha e se recusava a voltar para casa. Desesperada, a mulher pediu ajuda a Einstein, única pessoa por quem o filho abandonaria o retiro espiritual.

Mesmo com suspeita de ser um lunático perigoso, dias depois Einstein o recebeu em sua casa e saiu com ele para caminhar no bosque. “Não lhe perguntei sobre seus delírios, mas lembre-lhe que Jesus descera da montanha para ser pescador de homens”, conta. “Ao sentir nele a paz das alturas, perguntei-me se ele não estaria são e os loucos não seríamos nós”, observou.

Bem, duvido se alguém sabia interpretar a Bíblia melhor do que Einstein. E a alma tortuosa dos homens também.

* Este texto foi escrito ao som de: Ladies and gentlemen we are floating in space (Spiritualized – 1997)

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2 comentários sobre “Einstein discute sobre Hitler e Cristo

  1. Muito bom! hahah
    Também li um pequeno livro sobre Einstein, “Einstein – O enigma do Universo”. Não chega a ser uma biografia, mas fiquei também fascinado pelo cara. Um homem que pra mim de fato assimilou a “religião”… e daí gerou a religiosidade cósmica, com ideias desenvolvidas do que sempre pensei. Realmente um grande humanista, pra mim um dos mais marcantes seres humanos da História.

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