Einstein – A ciência da vida

Acredite, mas até Einstein enfretou grandes dificuldades no começo da carreira

Outro dia me peguei assistindo, numa dessas madrugadas insones, o épico Gandhi (1982), filme ganhador de três Oscars. Lá pelas tantas, alguém fala da comoção e perplexidade mundial diante da morte da “grande alma”. Várias celebridades se mostram chocadas, uma delas o cientista, Albert Einstein, que deixou registrado para a posteridade sua tristeza e indignação pela morte do líder indiano. “As gerações futuras não irão acreditar que existiu um dia na Terra um homem como Mahatma Gandhi”, resumiu.

E era verdade. Einstein fazia alusão à humildade divina e simplicidade quase incômoda de um líder que se afirmava no outro, no próximo. Ou seja, apesar de sua importância para o povo de seu país, que era enorme e, sobretudo, para a humanidade naqueles anos de conflitos, Mahatma Gandhi nunca deixou de ser o que sempre foi em sua essência: um homem do povo, um homem simples.

O próprio Albert Einstein tinha urticárias febris quando o tratava como se fosse um ser superior. No auge da fama, era comum vê-lo fazendo suas viagens de segunda classe. Para o grande homem da ciência o mais importante era o ser e não o ter.

Só por causa desse episódio e do comentário de Einstein sobre Ghandi, me senti motivado a ler uma biografia desse emblemático homem da ciência do século 20. Para tanto, recorri ao meu amigo Maguete, que é um grande admirador de tudo relacionado à astrologia, química e física, ou seja, das artes exatas. Portanto, fã de carteirinha de Albert Einstein e ele me saiu com, Einstein – A ciência da vida, da editora Ática, escrito por Denis Brian.

Antes de tudo, é bom que se diga que o físico alemão faz parte do meu universo cultural desde a adolescência e a razão se deve ao meu melhor amigo da época, o Fernando, que amava o trabalho desse grande homem e que morreria precocemente afogado nas praias de Ilhéus. Até hoje ainda não tive coragem de ler um livro que ganhei dele sobre as similaridades entre o Einstein e o Humberto Rohden, enfim…

Mas voltando à biografia, vale dizer que ela é bacana, rico em detalhes, mas eu ainda estou bem no começo. De qualquer forma, já deu para entender a origem desse humanismo latente do Einstein que marcaria sua trajetória até a morte dele, em 1955. Einstein era um sujeito avoado, que não tinha nenhuma preocupação ou apego com dinheiro e que gostava de passar horas e horas discutindo sobre física, química ou matemática com amigos, alunos e entendidos no assunto.

“Nós dois não damos a mínima para as alturas!”, desdenhou certa vez, num comentário com à primeira mulher.

Bem, aos 18 anos ele foi embora para Suíça, para estudar, e arrumou uma confusão dantesca com a família por se apaixonar por uma mulher, quatro anos mais velha, a sérvia, Mileva. A mãe seria uma opositora ferrenha do romance e como se não bastasse, ainda tinha que enfrentar a intolerância do pai, que não queria vê-lo metido com teorias e cálculos, o pressionando a trabalhar numa empresa de seguro. “Essa senhorita é responsável pelos momentos mais amargos da minha vida”, desabafou a mãe, chateada com a relação do filho.

Para Albert Einstein, que amava matar o seu tempo tocando violino, a saída era conseguir uma vaga como professor de exatas, cargo que seria mais fácil de conquistar, conseguindo a cidadania suíça. Enquanto não saía o emprego de professor e a tal cidadania, ia se virando para criar a filha Lieserl, que dizem, ainda não cheguei lá, seria dada à doação.

Como se vê, não existe nenhum Jesus caindo do céu e a vida foi difícil para todos, até para os grandes homens, entre eles esse grande gênio da humanidade.

* Este texto foi escrito ao som de: Radio-Activity (Kraftwert – 1975)

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