Lobão mata a mãe e vai preso

Os amigos Branco Mello e Arnaldo Antunes e a irmão Glória reivindica justiça ao Lobo mal da música brasileira

Um dos roqueiros mais originais dos anos 80, Lobão tem a língua solta, abre a boca para falar de tudo e sobre todas as coisas com a virulência e rapidez de uma metralhadora desgovernada Ra-tá-tá-tá… Um fluxo narrativo que enlaça, envolve a gente e não solta mais. Lançada em fevereiro deste ano, sua biografia 50 anos a mil tem mesma pegada. Tanto que não tem uma semana que comecei a ler o catatau de quase 600 páginas e até agora não parei de ler. Já vou lá pela página 300 e lá vai fumaça…

Altas revelações de uma das figuras mais polêmicas do BRock. Vamos começar pelo apelido Lobão, segundo o artista, surgido por causa de sua gulosice e porque adorava usar um macacão de jardineiro com uma alça só na escola. “A princípio, não sabia ao certo se gostava daquele apelido…”, revela no livro.

Filho de mãe super protetora e pai indiferente, o pré-adolescente Lobão descobre na leitura grande companheira nos momentos de angústia e solidão. Lia de tudo, de Eça de Queiroz a Asterix e, num belo dia, influenciado pelo espiritismo da mãe, deixa se fascinar pelas magias negras da macumba. Isso aos 14 anos.

“Certo dia, fazendo algumas analogias entre as entidades da rua como Pombajiras e Exus e os questionamentos de Nietzsche, entre numa de realizar uma ‘jira’ no meu quarto”, revela, explicando ser vítima de espasmo causado, segundo ele, pelas forças do mal. Ledo engano. “Após um lapso de tempo, acordo deitado em minha cama sem saber o que se passava. Minha tinha achava que era mediunidade, minha mãe estava em pânico só de pensar que eu podia ser um epilético…”, diz.

Ao ver que não tinha vocação para aluno exemplar na escola, abandona o 2º grau e mergulha de cabeça na música, mas precisamente nesse tal de “roquenrou”, assumindo definitivamente as baquetas. Era o auge das bandas com nomes enormes, pomposos que levavam um som enigmático e pretensioso, o auge do rock progressivo e eis que aquele menino epilético, invocado com macumba passa ser destaque do Vímana, banda do final dos anos 70 que tem entre os integrantes, Lulu Santos e Ritchie.

Graças a Nelsinho Motta, o grupo começa a despontar no cenário musical carioca sendo, inclusive, escalado para musicarem uma peça da Marília Pêra. “A peça era um musical biográfico e só a Marília aparecia em cena. Me lembro da noite de estreia… A Marília estava bem apreensiva com a minha entrada e não parava de me dar uns últimos lembretes, tudo com carinho…”, recorda o músico.

Sucesso profissional, discórdia em família. Um dia, após discussão violenta com pai, não titubeia e sai de casa, mas antes quebra, literalmente, o violão na cabeça do patriarca. A mãe, depressiva após a separação, comete seguidas tentativas de suicídio. No auge da crise, ameaça o filho que irá se matar se ele não der devida atenção a ela. Irritado, cansado do teatrinho materno, dá uma de Clint Eastwood e dispara: “Vá em frente, completa o meu dia”.

Não deu outra, a velha, na ocasião professora de inglês numa instituição de renome, pára de tomar os antidepressivos e tem infarto fulminante no meio de uma aula.  O filho comparece ao velório e ainda faz questão de levar uma miniatura da bandeira do Botafogo, time do coração da coroa, cantando no pé do ouvido da defunta, um clássico samba da Portela, outra paixão da vítima.

Mas a vida segue e, após uma passagem relâmpago como baterista da Blitz, a grande sensação do rock nacional no momento e as atribuladas gravações dos primeiros discos solo, é preso por porte de drogas em casa. Enjaulado, o Lobo sossega o facho. A experiência na prisão é relatada em 50 anos a mil num misto de lembranças amargas e histórias hilárias. “Havia uma gama muito eclética de presos ali. Acabei me tornando uma espécie de síndico da cela”, recorda, em tom de sarcasmo. “Whisky é droga mais pesada e não prendem ninguém por ser viciado em whisky. Por quê? Só porque é droga do primeiro mundo?”, debocha.

* Este texto foi escrito ao som de: Sob o Sol de Parador (Lobão – 1989)

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10 comentários sobre “Lobão mata a mãe e vai preso

  1. E Tbm é tipo a relaciona a morte da Mãe (Q depressiva o culpou e parou com os remédios)e a sua prisão por Drogas aí juntando isso da uma chamada interessante

  2. Horrível a forma preconceituosa como se descreve uma religião…magias negras da macumba!!! nada tem de religião neste maconheiro…safado!

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