Diários de Pernambuco – Artistas de rua

O cartunista equatoriano Davi há três anos desenhando turistas em PE

O cartunista equatoriano Davi há três anos desenhando turistas em PE

Em Porto de Galinhas (PE) e balneários arredores o que mais se vê, além de águas cristalinas, coqueiros e Sol, claro, são artistas de ruas. Eles brotam aos montes em praias, calçadas e esquinas. São saltimbancos da arte, levando alegria e um pouco de beleza para os turistas que vem e que passam ao sabor do calor pernambucano.

Na vila de Porto me deparei com algumas figuras interessantes. Num café/sebo localizado na rua principal, por exemplo, quase todas as noites cantores embalavam a rotina do local ao som de Raul Seixas, Pink Floyd, Bob Marley e tantos outros nomes da nossa MPB e do melhor do pop rock internacional.

Fiquei impressionado com uma jovem de voz poderosa, estilo sereia surfista, outro dia, que mandou bem uma do Pearl Jam. No dia seguinte, um trio bem simpático que tinha um japa infernal na percussão monopolizou a atenção de quem passava pela rua principal da vila com o som dançante que mandavam. Detalhe, o cara estava com um dos dedos da mão quebrado. Penso eu que se não fosse esse pequeno incidente ele não tocaria tão bem assim.

Mas o que chama atenção mesmo pelas ruas da vila de Porto de Galinhas são os caricaturistas que fazem desenhos de artistas e personagens famosos, vai ao gosto do freguês. É só você desembolsar R$ 15 mangos por cabeça e está lá o desenho feito em poucos minutos. Minha sobrinha mesmo fez três da turma do Harry Potter.

Impressionante a habilidade dos caras que, com leveza nas mãos administram os contornos e traços exagerados feitos por lápis mágicos. Às vezes, do excesso se faz poesia a partir de sutis borrões suavizados com guardanapos ou uma pequena borracha.

Um deles, o equatoriano Davi, há três anos radicado no Brasil, me chamou atenção pela simpatia e carisma. Em poucos minutos de conversa já fiquei sabendo que ele tinha andado metade do país com uma mochila nas costas, um estoque de lápis, papel e muito talento.

- Já estive na sua cidade, me confidenciou ele, quando disse que era de Brasília. – Morei um tempo ali no Guará II, detalhou.

Outro artista, agora um pintor, também era atração do lugar com suas belas telas com motivos tropicalistas que desenvolve junto com a mulher. Paulista radicado em Porto de Galinhas, o sujeito também disse que correu esse Brasil de meu deus para levar sua arte a quem quisesse ver, apreciar e, claro, comprar. Onde morava, revelou, ganhava uma média de R$ 800 por mês e não tinha sua obra valorizada. Hoje, junto com a esposa e outros artistas de rua chega a faturar o dobro em um dia.

Bom, como se vê, ser artista de rua em Porto de Galinhas, seja ela nativo ou forasteiro, tem futuro.

* Este texto foi escrito ao som de: Quero voltar pra Bahia (Paulo Diniz – 1970)

Paulo Diniz