Cap. 16 Bowie e as drogas

William S. Burroughs ajudou indiretamente Bowie a escrever canções para o disco Diamond dogs

Como todo artista que veio antes e depois, David Bowie também se rendeu às drogas. O vício chegou de forma fulminante com o estrelato em 1972, após conquistar a Europa e a América com a explosão meteórica de Ziggy Stardust. O jornalista e biógrafo Marc Spitz, autor de Bowie – obra lançada ano passado no Brasil pela Benvirá -, acredita que ele tenha percorrido mais carreiras de pó no início de sua trajetória do que artistas pops como Elton John, Oliver Stone e os integrantes dos Eagles.

“De início a cocaína trouxe um bálsamo psicológico”, escreve Spitz. “Ela o ajudou existir como um fabuloso astro do rock fora do palco. Um garotinho suburbano, dolorosamente tímido, que de repente olhava a vida como uma festa glitter”, emenda.

Talvez iludido com o sucesso e com a ilusão de que era o rei Midas do rock, onde tudo que tocasse viraria ouro, o artista deu início a novos e ambiciosos projetos. Entre eles a ideia de um novo show, talvez um espetáculo para Broadway e a produção de discos para artistas que iam surgindo em meados dos anos 70 e outros já consagrados, como Iggy Pop e Lou Reed.

Em Londres, naquele começo de 1974, o escritor beatnik e papa das drogas lisérgicas William S. Burroughs fez uma visita a Bowie, em Chelsea. Desde a adolescência fã incondicional do autor de Almoço nu, os dois passaram horas discutindo sobre novas técnicas de escrita e o futuro da mídia. Em dado momento, se viram mergulhados no novo método do escritor de escrever, baseado em “recortar e colar” palavras. Não seria o primeiro já que a dupla Jagger e Richards fez o mesmo quando compuseram Casino boogie, do clássico Exile on main st.

Naquele mesmo ano, surgiu a ideia de transformar o perturbador romance 1984, do britânico George Orwell, em musical, mas o projeto seria engavetado já que a viúva do escritor Sonia Blair não permitiu tal empreitada. David não perdeu o foco. “Mudei rapidamente de direção e transformei o projeto em Diamond dogs: dez punks em skates enferrujados vivendo nos telhados dessa distópica Hunger City, num cenário pós-apocalíptico”, lembraria o artista em 2008, numa entrevista para o Daily Mail.

Assim, o disco seguinte do camaleão do rock o conduziria mais uma vez numa direção completamente diferente dos trabalhos anteriores. As canções Sweet thing e Candidate foram compostas sob a influência de Burroughs, reproduzindo uma colagem de impressões. A furiosa Rebel rebel seria a música de trabalho do álbum. Finalizado nos estúdios Ludolf, na Noruega, a estilosa capa seria desenhada pelo artista local Guy Peellaert. Os testículos à mostra foram encobertos, depois que os executivos da RCA subiram nas tamancas.

Com cenários suntuosos que faziam referencia a dois filmes que marcaram o artista, O gabinete do dr. Caligari e Metrópolis, e às produções da Broadway, Bowie mais uma vez caiu na estrada, começando a turnê do novo disco em Montreal, no Canadá. “A turnê Diamond dogs foi precursora de todos os shows opulentos, arriscados, indolentes e espalhafatosos que surgiriam depois”, avaliaria o escritor Marc Spitz.

* Este texto foi escrito ao som de: Younger than yesterday (The Byrds – 1967)

2 Comentários (+add yours?)

  1. Blitzkrieg
    ago 23, 2011 @ 19:53:03

    Olá Lucio,

    Adorei esta materia e “roubei” descaradamente do seu blog. Se houver algum problema ou não for legal para voce me de um toque que eu retiro imediatamente. Alterei o nome do artigo, porem fiz questão de deixar registrado seu nome como autor do mesmo. Obrigado

    http://blitzkrieg-attack.blogspot.com/2011/08/william-s-burroughs-e-david-bowie.html

    Responder

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